quarta-feira, 19 de setembro de 2012

No Colo de Morgana

Hoje venho falar sobre um momento que estou vivendo. Estou retomando a minha rotina, após alguns dias de férias, mais que merecidas. Apesar de naturalmente, ter vontade de viajar e fazer algum passeio diferente, escolhi ficar junto da minha família.
Quem me conhece há algum tempo sabe que não moro com meus pais há uns bons anos, e na verdade, nem moro assim tão próximo a eles. E que me conhece, também sabe dos muitos desafios e dificuldades que enfrentamos nos últimos 10 anos. Mas sempre tentamos ser fortes. Lutamos muito, cada um da maneira que podia, pelo nosso bem. Erramos muito na tentativa de acertar, e estar junto deles nestes últimos dias foi algo que me confortou muito.
Viver esses momentos de paz, de alegria e confiança foi o maior presente que a Deusa poderia nos dar, após tantas dificuldades. Cada tentativa, cada lágrima derramada valeu a pena, valeu acreditar que um dia resgataríamos a harmonia. Não somos agora uma família perfeita, e nem temos a pretensão de ser. Mas estamos juntos, unidos no amor, na esperança, perdão e fé, buscando o melhor por nós. Isso é o mais importante.  E ainda temos muito a fazer.
E agora, ao voltar pra minha casa, derramando lágrimas, vem a sensação de vazio. Vem a vontade de continuar lá com eles, pra sempre. Mas tenho que tocar a vida, meus compromissos, minhas responsabilidades. Somente a Deusa pode me apontar um caminho para que eu possa viver minha vida, e carregar comigo minha família, sempre.
Ao me aconselhar junto a Ela, surge então, Morgana, a Fada, me trazendo este aconselhamento(retirado do Oráculo da Deusa):
“Morgana, a Fada chegou dançando à sua vida com os seus tambores e sua magia para convidá-la a descobrir e viver seus ritmos. Qual é o seu ritmo pessoal? Você sabe qual é o melhor momento para exercitar-se, dormir, comer, ser criativa, fazer amor, trabalhar e etc? Ou gasta toda a sua vitalidade ajustando-se ao ritmo imposto pelo trabalho, pela família, pelo amante, pelos amigos? Você mergulhou na vida do outro e vive no ritmo dele em vez do seu? Talvez você nunca tenha descoberto o seu ritmo porque quer agradar àqueles com quem convive e ‘fazer parte do time’ É de total importância que você siga o seu ritmo. Fluir com ele lhe dará mais energias, porque você não estará mais reprimido o que lhe é natural. Morgana, a Fada diz que a vitalidade, a saúde e a totalidade são cultivadas quando você flui com sua pulsação única, em vez de ir contra ela”.
Então, não adianta ir contra o fluir da minha vida. Tenho uma vida a ser vivida que é só minha, e sim, minha família faz parte dela. E é uma das partes mais importantes dela. Tenho que aceitar isso, que tenho uma vida independente, e que tenho que vivê-la, seguir os meus ritmos. Esperando ansiosamente para estar de novo com minha família, sem dúvidas. Mas antes de tudo, vivendo meus momentos e estando inteira em todos eles. Que Morgana me acolha em Seu colo, e me abençoe sempre e também abençõe minha família!! Pois assim como nós, Ela também é uma grande guerreira...
Mônica Azevedo

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Fim do inverno. Hora da faxina!

Estamos nos últimos dias do inverno. Sábado, dia 22/09 as 11h49 entraremos na Primavera. Durante esses dias (10 dias antes e 10 dias depois da entrada da estação) é muito bom fazer faxina, organizar e arrumar a casa/local de trabalho (aproveitar a lunação em virgem!!!), deixar o velho ir, doar coisas que não iremos mais usar, abrir espaço para o novo, afinal estamos em um fim de ciclo, indo do inverno para a primavera.

Também é importante fazer uma faxina no nosso organismo. Normalmente no inverno comemos um pouco mais, ficamos mais sedentárias e cometemos alguns excessos. É necessário eliminar e desintoxicar o organismo para não termos gripe, febre, falta de energia e melhorar nosso sistema imunológico.

Abaixo listo pequenas dicas para a harmonia e manutenção de saúde que aprendi no Ayurveda.

- Água e chás como: boldo e carqueja (chás amargos) removem toxinas.
- Suco de clorofila até as 10h da manhã para desintoxicação. Bater no liquidificador junto: 2 folhas de couve, suco fresco de 1 laranja e suco fresco de 1 limão.
- Alimentos picantes, azedos e ácidos ajudam a eliminar o muco. (principalmente pra quem toma muito leite, e come muitos farináceos).
- Água morna + algumas gotas de limão logo pela manhã em jejum ajuda a evacuar.

Alguns sucos desintoxicantes:
(Esses sucos foram retirados do excelente livro: Alimentação desintoxicante - Conceição Trucom)

  • Quando tomados em jejum têm função primária de desintoxicar e função secundária de nutrir e vitalizar.
  • Quando tomados no meio da manhã ou da tarde têm função primária de nutrir e vitalizar e função secundária de desintoxicar.

Abacaxi, mamão e morango
1 fatia grossa de abacaxi
1 fatia de mamão formosa
8 morangos
Água de coco (o suficiente)
Bata tudo no liquidificador. Servir imediatamente.

Limpeza total
1 rodela grossa de abacaxi
Suco fresco de 2 laranjas pera
Suco fresco de 1 limão.
Bata tudo no liquidificador. Servir imediatamente.

Laxante
1 fatia de mamão formosa
Suco de 2 laranjas descascadas preservadas a parte branca (passadas na centrífuga)
1 ameixas secas ou 1 colher (sopa) de uvas passas
Bata tudo no liquidificador. Tome sem coar.

Pepino e Hortelã
1 pepino sem casca
6 ramos de hortelã
Passe tudo pela centrífuga e sirva imediatamente. Um copo de suco diário ajuda na oxigenação e rejuvenescimento das células.

Sempre lembrando que para melhores resultados temos que tomar bastante água, praticar exercícios, nos alimentarmos bem (evitar açúcar, carnes, enlatados e alimentos industrializados, farináceos), meditar, ter momentos de lazer e bom sono. ;)


Espero que gostem!
Com carinho,
Ana K.

sábado, 15 de setembro de 2012

Conselho da Semana - Lua Nova

Olá a todas!
Hoje Sol e Lua estão juntos no céu dando inicio a Lunação em Virgem.
Virgem é o signo da análise e da síntese. É regido por mercúrio, planeta da comunicação e expressão, e que neste signo fala dos estudos, da pesquisa e da ciência.
Ótima lunação para cuidar da saúde, cuidar dos detalhes, estudar, criar hábitos melhores e organizar a rotina e os afazeres.
O conselho para essa semana de lua nova é: A GUARDIÃ!
Signicado da carta: Joana d´Arc, vestida para a batalha, aparece ao seu lado para ajuda-la a enfrentar o desafio que a vida lhe apresenta. O tempo urge. Você está precisando desenvolver habilidades que a levem a ser uma boa guardiã para si mesma. Você está perdendo muito da sua energia, do seu tempo, da sua saúde e/ou dos seus recursos. Um bom relacionamento, que lhe garanta proteção, se faz necessário agora.
Você se se exausta e desvitalizada depois de passar algum tempo na companhia de uma certa pessoa ou de certas pessoas? Você já aprendeu a colocar limites nos seus relacionamentos ou nem sabe por onde começar? Será que você se entregou a alguém uma parte sua muito rara e preciosa que deveria ter guardado só para si e mantido a salvo de pessoas desrespeitosas? Neste momento, é fundamental saber quais aspectos seus você deve partilhar ou não com as outras pessoas. Se você está em busca de uma orientação com respeito a uma pessoa ou situação, saiba que a resposta é: só se você souber impor limites muito bem-definidos e fazer da sua própria proteção uma prioridade.*

*Texto retirado do livro: O Oráculo do Código do Graal - Ed. Pensamento,

domingo, 9 de setembro de 2012

Conselho da Semana - Lua Minguante

Olá a todas!
Chegamos a lua minguante e o conselho para essa semana é: ÊXTASE!
Significado da carta:
Uma alegria extasiante dança o seu bailado na sua vida, trazendo com ela uma grande felicidade e prazer! Você está recebendo um convite carinhoso para elevar a sua vida à vibração máxima. Agora é hora de você apreciar cada momento da sua vida, cada batida do seu coração, cada lufada de ar que respira. Se você ficar esperando a felicidade bater a sua porta, vai cansar de esperar. No entanto, se decidir que quer encher a sua vida de uma alegria inebriante, ela se tornará um suntuoso banquete, que lhe trará saúde e vitalidade, além da companhia de muitas outras pessoas, só à espera de um convite para partilhar com você dessa mesa farta.
Os seus amigos não retornam os seus telefonemas ou encontram razões extremamente criativas e complexas para explicar por que não podem aceitar o seu convite para sair? Você foi multada pela polícia da alegria por transitar abaixo dos limites de prazer permitidos pela lei? Os seus estoque de momentos felizes diminuíram ou estão completamente vazios? Talvez você tenha aprendido que a vida é dor e sofrimento ou não esteja acostumada com a alegria porque ela não fez parte da sua  infância. Para você a alegria é como uma sobremesa que você só pode saborear depois de ter feito toda a lição de casa? Se a sua vida é sem graça, melancólica ou simplesmente chata, ou se ela é como um filme estrangeiro com legendas numa língua desconhecida, então você precisa fazer imediatamente uma sessão de reidratação, mas substituindo a água pelo mais puro prazer!
Incontáveis estudos atestam que os sentimentos de alegria, felicidade e êxtase se originam no cérebro. Isso significa que não precisamos esperar por momentos alegres para sentir alegria. Podemos ter um momento de alegria simplesmente fazendo uma pausa, respirando fundo e dizendo a nós mesmas: "Eu me sinto ótima!" ou "Este é um momento de plena felicidade" ou "Eu gosto de mim mesma!" ou outra expressão de felicidade mais do seu agrado.
Escolha fazer da alegria e do êxtase um hábito diário e a sua vida se transformará num mágico jardim de delícias!"*

*Texto retirado do livro: "O Oráculo do Código do Graal" - Ed. Pensamento.

Nota pessoal: Depois de brincadeira, beleza e agora êxtase, a vida vem me mostrando como preciso me permitir algumas coisas e esse feriado veio bem a calhar. Estou hiper feliz! Aproveitando cada momento!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Continuando a Fortalecer Nossos Vínculos

Nestes últimos dias eu estive muito calada, pensativa, reflexiva. Estive pensando principalmente nas minhas limitações. Algumas delas são limitações que envolvem tanto a nós, mulheres, como também ao universo masculino. Mas a limitação sobre a qual gostaria de compartilhar hoje aqui, envolve especialmente a nós, mulheres. E no caso, estou falando a respeito de conflitos entre nós, mulheres.
Acredito que todas nós já ouvimos aquela velha história de que nós somos invejosas, competitivas, traiçoeiras entre nós. Na verdade, a maioria de nós já vivenciou algum tipo de conflito neste sentido, não é mesmo? Eu já vivi, e não foi só uma vez. Talvez possa viver muitas outras vezes. E como uma mulher que tem uma preocupação, um compromisso de ajudar a fortalecer o vínculo entre nós e que tem uma preocupação em colocar questões para promover a cura entre nós, gostaria de fazer uma “provocação”, para que pudéssemos refletir antes de continuarmos cultivando qualquer sentimento que não seja legal entre nós. E digo do fundo do meu coração, eu estou aqui assumindo que para mim é um grande desafio deixar alguns sentimentos irem, perdoar, curar feridas que surgiram por conta de conflitos com outra(s) mulher(es). É claro que é lindo dizer que precisamos nos abraçar, nos curar, como sempre dizemos aqui. Mas acho também que é NECESSÁRIO vivenciarmos em nós essa cura.
Pensando em todos os conflitos que já vivi em relação a outras mulheres, e observando os conflitos que mulheres próximas a mim já viveram, começo a pensar na sociedade patriarcal em que vivemos. Este sistema patriarcal por si só incentiva a disputa, a competição. Aqui nesse mundo, só é valorizado quem recebe o melhor salário, quem ocupa os melhores cargos, quem estudou mais. Somos bombardeadas por propagandas, matérias de revista, programas de TV que dizem que somente as mulheres com o padrão de beleza “x” são as atraentes, bonitas e sexys. E como resultado disso, o que vejo agora são mulheres que desde muito jovens têm a sua autoestima abalada. Seja por não terem a qualificação profissional e financeira “satisfatórias” para este sistema capitalista, seja por não estarem de acordo com o padrão de beleza imposto por esta sociedade. É óbvio que com essas cobranças vindas de tudo quanto é lado há uma grande tendência de crescermos com a auto confiança, com uma imagem sobre nós mesmas fragilizadas. Temos que atingir padrões que são inatingíveis, é isso, simplesmente.
Outra coisa que desde criança nós crescemos ouvindo, é que temos que ter um homem, um companheiro para nos amar e nos proteger. Vivemos nossa vida inteira dependendo do amor e da aceitação de um parceiro para sermos felizes. E claro, como já foi dito no parágrafo anterior: temos que ser lindas, inteligentes e bem sucedidas para que nossos companheiros nos amem e nos desejem. Puxa, será que nosso amor próprio não basta? Sim, é muito bom quando encontramos alguém com quem a gente possa compartilhar a nossa vida, alguém que nos ame e que também possamos amar. Mas o que eu vejo muitas vezes são mulheres que se envolvem em relações complicadas porque disseram a elas precisam ter alguém para serem “completas”. O que eu vejo são mulheres disputando homens entre si, porque disseram que elas precisam ter um companheiro. O que eu vejo são mulheres que anulam suas vidas por um “amor”.
Disseram que é feio expressarmos nossas mágoas, nossos medos, nossas raivas e nossas frustrações. Como resultado disso, não sabemos lidar com esses sentimentos, o que acaba refletindo nas nossas relações, seja com colegas, amigas, familiares e mulheres conhecidas.
Confesso que tudo o que foi colocado aqui é algo que eu também tenho dificuldade em lidar. Mas ao mesmo tempo, estou procurando abrir minha mente, meu coração e meu espírito para curar minhas feridas, e para contribuir para a cura de feridas das minhas companheiras de jornada. Refletir sobre isso já é um grande passo, eu penso assim.


Mônica Azevedo

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Conselho da Semana - Lua Cheia

Olá a todas!
Hoje chegamos a Lua Cheia em Peixes X Sol em Virgem. Este eixo fala sobre o Servir. Serviço Espiritual (espiritualidade, rituais, força maior atuante, influência divina, força superior, sinais, destino, cura) X Serviço mundano, terrestre (trabalho, rotina, prazos, funcionamento das coisas, cura). Fala também sobre Espírito X Matéria (corpo físico, saúde), a integração e a importância dos dois, sem dissociação.
Virgem é um signo do elemento terra e Peixes do elemento água. A água dos sonhos piscianos fertilizando a terra orgânica e prática virginiana. Sonhos que se materializam.

A carta para essa semana é: BELEZA
Significado da carta:
A Beleza ofusca momentaneamente os seus olhos, fazendo o seu espirito voar alto. Você esta sendo convidada a viver a vida com beleza. Você pode fazer muita diferença na vida das outras pessoas e no mundo se optar por elevar o seu espirito por meio da beleza. Isso não significa que você deva ficar o dia inteiro sentada diante do espelho, empoando o nariz ou pensando em si mesma. Significa ficar atenta para que todos os seus atos e palavras sejam agradáveis e belos, em vez de hostis ou banais. Todos nós temos um dom de beleza para oferecer ao mundo e a nossa jornada ao longo da vida consiste em descobrir esse dom e essa beleza e cantá-los em verso e prosa.
Você vive ocupada demais para pensar em beleza? Hora de se abrir para todas as possibilidades de embelezar este mundo. O seu dia-a-dia anda tão monótono e maçante que você vive morta de tédio? Hora de revolucionar a sua agenda de compromissos e incluir alguns momentos de beleza! Talvez você tenha se deixado deprimir pelo lado feio da vida, dos relacionamentos, dos negócios e do governo. Então é hora de enfeitar a sua vida e as suas crenças com a beleza que inspira e inebria.
Se você optar por acolher a beleza de braços abertos e criar beleza a todo momento na sua vida, ela se tornará uma serenata que elevará o seu espirito.

*Texto retirado do livro: O Oráculo do Código do Graal - Ed. Pensamento.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Corpo Jubiloso: A carne selvagem

O Corpo Jubiloso: A carne selvagem

“Limitar a beleza e o valor do corpo a qualquer coisa inferior a essa magnificência é forçar o corpo a viver sem seu espírito de direito, sem sua forma legítima, seu direito ao regozijo. Ser considerada feia ou inaceitável porque a nossa beleza está fora da moda atual fere profundamente a alegria natural que pertence à natureza selvagem.”
“É claro que a natureza instintiva das mulheres valoriza o corpo e o espírito muito mais por capacidade e vitalidade, sensibilidade e resistência do que por qualquer avaliação da aparência. Esse ponto de vista não pretende descartar aquilo que seja considerado belo por qualquer segmento da cultura, mas, sim, traçar um círculo mais amplo que inclua todas as formas de beleza, forma e função”.

História: La Mariposa, a Mulher-Borboleta (A Dança da Borboleta)
Para falar sobre o poder do corpo de um outro ângulo, tenho que lhes contar uma história, uma verdadeira e bem longa.
Há anos, os turistas atravessam barulhentos o enorme deserto norte-americano, cobrindo às pressas o “circulo espiritual”: Monument Valley, Chaco Canyon, Mesa Verde, Kayenta, Keams Canyon, Painted Desert e Canyon de Chelly. Eles espiam pela pelve do Mother Grand Canyon, abanam a cabeça, encolhem os ombros e voltam correndo para casa, só para no verão seguinte atravessar de novo o deserto, olhando, olhando um pouco mais, espiando, observando um pouco mais. Subjacente a tudo isso está a mesma fome de experiência espiritual que os seres humanos sentiram desde o inicio dos tempos. Em alguns casos, porém, essa fome é exarcebada pois muitas pessoas perderam o contato com seus antepassados. É muito comum que elas não saibam os nomes dos que vieram antes dos seus avós. Perderam, em especial, as histórias das suas famílias. Em termos espirituais, essa situação provoca tristeza... e fome. Por isso, muitos estão tentando recriar algo de importante para o bem da alma.
Há anos, os turistas também vêm a Puyé, uma grande mesa poeirenta no “fim do mundo”, no Novo México. Aqui os Anasazi, os antigos, costumavam se chamar de uma mesa para outra. Diz-se que na pré-história foi o mar que entalhou os milhares de bocas e olhos, sorridentes, debochados e queixosos, nas paredes rochosas daquele lugar. Os descendentes dos navajos, dos jicarilla apaches, dos utes do sul, dos hopis, zunis, Santa Clara, Santa Domingo, Laguna, Picuris, Tesuque, de todas essas tribos do deserto, reúnem-se aqui. É aqui que eles conseguem voltar, através da dança, a pinheiros nativos, aos cervos, às águias e Katsinas, espíritos poderosos.
Para aqui também vêm visitantes, alguns dos quais estão privados dos seus mitos genealógicos, isolados da sua placenta espiritual. Eles também já se esqueceram dos seus deuses ancestrais. Por isso, vêm observar os que não se esqueceram. A estrada que sobre até Puyé foi construída para cascos de cavalos e para os mocassins. Com o tempo, no entanto, os automóveis foram ficando mais potentes, e agora tanto os habitantes do local quanto os visitantes chegam em todo tipo de carro, picape, caminhonete e conversível. Os veículos sobem pela estrada, guinchando e soltando fumaça, num desfile lento e empoeirado. Todos estacionam trochimochi, de qualquer jeito, no terreno irregular. Antes do meio-dia, a borá da mesa dá a impressão de um engavetamento de mil carros. Há quem estacione bem junto a pés de malva-rosa de um metro e oitenta de altura, pensando que basta afastar os galhos da planta para sair do carro. Só que esses pés de malva-rosa são centenários e parecem feitos de ferro. Quem estaciona junto a eles fica preso dentro do carro. Antes mesmo do meio-dia, o sol é uma fornalha acesa. Todos caminham pesadamente com sapatos que queimam os pés, carregando guarda-chuvas caso chova (o que vai acontecer) e, se forem turistas, talvez uma máquina fotográfica (se lhes for permitido) e latinhas de filme penduradas no pescoço como se fossem fieras de alho.
Os turistas vêm com todo tipo de expectativa, desde as sagradas até as profanas. Vêm ver se algo que nem todos conseguirão ver, um exemplo do mais selvagem dentre os selvagens, um espírito vivo, La Mariposa, a Mulher-Borboleta.
O último evento é a Dança da Borboleta. Todos aguardam com imenso prazer a tal dança de uma só pessoa. Ela é apresentada por uma mulher, e que mulher!
Quando o sol começa a se pôr, aparece um velho resplandecente no seu traja de cor turquesa que deve pesar uns vinte quilos. Com  os alto-falantes guinchando como um pintinho que detectou um falcão, ele sussurra no microfone de cromo da década de 1930, “E nossa próxima atração vai ser a Dança da Borboleta”. Ele se afasta arrastando no chão e bainha de jeans.
Ao contrário de uma apresentação de balé, na qual o numero é anunciado, as cortinas se abrem e os bailarinos aparecem, inseguros, aqui em Puyé, como em outras danças tribais, o anúncio formal da dança pode preceder a aparição da dançarina em desde vinte minutos a uma eternidade. Onde está ela? Arrumando seu trailer, quem sabe. Aqui são comuns temperaturas superiores a 40 graus centígrados, e são necessários retoques de última hora na maquiagem do corpo desmanchada pelo suor. Se um cinto da dança, que pertenceu ao avô da dançarina, se partir no caminho até a área, ela simplesmente não faria sua apresentação pois o espírito do cinto precisaria descansar. Os dançarinos também podem se atrasar porque está tocando uma ótima musica na “Hora índia de Tony Lujan” na rádio Taos, KKIT (em homenagem a Kit Carson). Pode acontecer de um dançarino não ter ouvido o alto-falante e precisar falar com todos os parentes no caminho até a arena, e com a maior certeza deve parar para que seus sobrinhos e sobrinas deem uma boa olhada. Como as crianças ficam assombradas de ver um imponente espírito Katsina que desperta a suspeita de se parecer, pelo menos um pouco, com tio Tomás ou uma participante da dança do milho que dá a impressão de ser mesmo muito parecida com tia Yazie. Afinal, existe a possibilidade sempre presente de que o dançarino ainda esteka lá na rodovia de Tesuque, com as pernas balançando da goela escancarada de uma picape enquanto o escapamento polui o ar por mais de quilômetros a favor do vento.
Enquando esperam a Dança da Borboleta num estado de agitação irrefreada, todos tagarelam acerca das virgens das borboletas e sobre a beleza das meninas zunis que dançaram num antigo traje vermelho e preto, de um ombro só, e com vibrantes círculos cor-de-rosa pintados nas faces. Elogiam, também, os rapazes da dança do cervo que se apresentaram com ganhos de pinheiro amarrados aos braços e às pernas.
O tempo passa.
Passa.
E passa.
As pessoas sacodem moedas nos bolsos. Chupam os dentes. Os turistas ficam impacientes para ver essa maravilhosa bailarina borboleta. Inesperadamente, já que todos estão pra lá de entediados, os braços do tocados de tambor começam a fazer soar o sagrado ritmo da borboleta, e os cantores o coiro começam a grtar para os deuses com toda a alma.
Para os turistas, uma borboleta é algo delicado. “Ah, a frágil beleza”, sonham eles. Por isso, ficam necessariamente abalados quando durge aos saltos Maria Lujan. E ela é grande, grande mesmo, como a Vênus de Willendorf, como a Mãe dos Dias, como a mulher heroica de Diego Rivera, que construiu a Cidade do México com um simples voltear do seu pulso.
E Maria Lujan é velha, muitíssimo velha, como uma mulher que voltou do pó; velha como um rio velho; velha como os pinheiros nos pontos mais altos das montanhas. Um dos seus ombros está nu. Sua manta vermelha e preta, um vestido-saco, pula de um lado para o outro com ela dentro. Seu corpo pesado e suas pernas muito finas fazem com que ela lembre uma aranha saltitante envolta numa pamonha. Ela salta num pé só, e depois no outro. Ela abana seu leque de penas por toda parte. Ela é A Borboleta que chegou para dar forças aos fracos. Ela é o que a maioria considera não ser forte; a velhice, a borboleta, o feminino.
O cabelo da Donzela Borboleta cai até o chão. Ele é denso como dez feixes de milho e é de um cinza de pedra. E ela usa asas de borboleta do tipo que se vê nas crianças que fazem papel de anjos em peças de escola. Seus quadris são como duas enormes cestas balouçantes e a parte carnuda do alto das nádegas é larga o suficiente para carregar duas crianças.
Ela salta, salta e salta, não como um coelho, mas em passinhos que ecoam.
- Estou aqui, aqui, aqui...
-Estou aqui, aqui, aqui...
- Acordem. Acordem. Acordem!
Ela abana o leque para cima e para baixo, salpicando a terra e o povo da terra com o espírito polinizador da borboleta. Suas pulseiras de conchas chocalham como cascavéis, suas ligas provisas de sinos produzem o som da chuva. Sua silhueta com sua grande barriga e pernas pequenas dança de um lado do circulo para o outro. Seus pés deixam pequenos remoinhos de poeira.
As tribos ficam reverentes, envolvidas. No entanto, alguns artistas olham uns para os outros, perguntando, aos sussurros, de aquilo é a Donzela Borboleta.
Eles estão perplexos, alguns até mesmo decepcionados. Parece não mais lembrar de que o mundo dos espíritos é um lugar em que os lobos são mulheres, os ursos são maridos e as velhas dimensões avantajadas são borboletas.
É, é apropriado que a Mulher Selvagem/Mulher-Borboleta seja velha e corpulenta, pois ela traz o mundo dos trovoes num seio, e o mundo subterrâneo no outro. Suas costas são a curva do planeta Terra com todos os seus frutos, alimentos e animais. Na sua nuca, ela traz o sol nascente e poente. Sua coxa esquerda guarda todos os pinheiros; sua coxa direita, todas as lobas do mundo. Em seu ventre estão todos os bebês que um dia ainda irão nascer.
A Donzela Borboleta é a força feminina fertilizadora. Ao transportar o pólen de um lugar para o outro, ela fecunda por cruzamento, da mesma forma que os arquétipos fertilizam o mundo concreto. Ela é o centro. Ela aproxima os opostos ao tirar um pouco daqui e levá-lo para lá. A transformação não é nem um pouco mais complicada que isso. É essa a sua lição. É assim que a borboleta faz. É assim que a alma atua.
A Mulher-Borboleta corrige a ideia equivocada de que a transformação é só para os torturados, para os santos, ou apenas para os tremendamente fortes. O self não precisa mover montanhas para se transformar. Um pouco basta. Um pouco vai longe. Um pouco muda muita coisa. A força fertilizadora substitui a movimentação de montanhas.
A Donzela Borboleta poliniza as almas da terra. É mais fácil do que vocês pensam, diz ela. Ela abana seu leque de penas e saltita porque está derramando pólen espiritual sobre todos os presentes, índios norte-americanos, criancinhas, turistas, todo mundo. Ela está usando seus corpo inteiro como uma benção, esse seu corpo velho, frágil, grande, manchado, de pernas curtas e quase sem pescoço. Essa é a mulher vinculada à natureza selvagem, a intérprete da força instintiva, fertilizante, a que conserta, a que acorda antigas ideias. Ela é La Voz Mitológica. Ela é a encarnação da Mulher Selvagem.
A intérprete da dança da borboleta tem de ser velha por representar a alma que é velha. Ela é larga das coxas e ancas por carregar tantas coisas. Seu cabelo grisalho garante que ela não precisa mais obedecer a tabus ligados ao contato com outras pessoas. É permitido que ela toque a todos: meninos, bebês, homens, mulheres, meninas, os idosos, os enfermos, os mortos. A Mulher-Borboleta pode tocar qualquer pessoa. É seu privilégio de tocar a todos, afinal. Esse é o seu poder. Seu corpo é o de La Mariposa, a Borboleta.”


“O corpo é como um planeta. Ele é uma terra por si só. Como qualquer paisagem, ele é vulnerável ao excesso de construções, a ser retalhado em lotes, e se ver isolado, esgotado e alijado de seu poder. A mulher mais selvagem não será facilmente influenciada por tentativas de urbanização. Para ela, as questões não são de forma, mas de sensação. O seio em todos os seus formatos tem função de sentir e de amamentar. Ele amamenta? Ele é sensível? Então é um seio bom.
Já os quadris são largos por um motivo. Dentro deles há um berço de marfim acetinado para a nova vida. Os quadris da mulher são estabilizadores para o corpo acima e abaixo deles. Eles são portais, são uma almofadinha opulenta, suportes para as mãos no amor, lugar para as crianças se esconderem. As pernas foram feitas para nos levar, às vezes para nos empurrar. Elas são as roldanas que nos ajudam a subir; são o anillo, o anel que abraça o amado. Elas não podem ser criticadas por serem muito isso ou muito aquilo. Elas simplesmente são.
No corpo não existe nada que “devesse ser” de algum jeito. A questão não está no tamanho no formato ou na idade, nem mesmo no fato de ter tudo aos pares, pois algumas pessoas não têm. A questão selvagem está em saber se esse corpo sente, se ele tem um vínculo adequado com o prazer, com o coração, com a alma, com o mundo selvagem. Ele tem alegria, felicidade? Ele consegue ao seu modo se movimentar, dançar, gingar, balançar, investir? É só isso que importa”.
“Há um verso em “for colores girls who have considered suicide/when the rainbow is enough”, de Ntozake Shange. Na peça, a mulher de roxo fala depois de lutar para lidar com todos os aspectos físicos e psíquicos de si mesma que a cultura ignora ou deprecia. Ela resume com estas palavras sábias e pacíficas: here is what I have... poems, big thighs, lil tits & so much Love. (é isso que eu tenho... poemas, coxas grossas, peito pequeno e tanto amor).
É esse o poder do corpo, o nosso poder, o poder da Mulher Selvagem. Nos mitos e contos de fadas, as divindades e outros espíritos poderosos testam o coração dos seres humanos ao aparecer sob diversas formas que disfarçam sua natureza divina. Aparecem usando mantos, farrapos, faixas de prata ou com os pés enlameados. Aparecem com a pele morena como madeira escura, ou em escamas feitas de pétalas de rosas, como uma frágil criança, como uma velha de uma amarelo-esverdeado, com um homem que não sabe falar ou como um animal que sabe. Os grandes poderes estão querendo descobrir se os seres humanos já aprenderam a reconhecer a grandeza da alma em todas as variações.
A Mulher Selvagem aparece em muitos tamanhos, formas, cores e condições. Mantenha-se alerta para poder reconhecer a alma selvagem em todos os seus inúmeros disfarces”.*

*Texto retirado do livro: Mulheres que correm com os Lobos - Clarissa Pinkola Estes


Questionário e Reflexões:
1)    Qual é a sua relação com seu corpo físico?
2)    O que você mais gosta em si? E o que mais desgosta?
3)    Qual é a sua beleza? Você a reconhece?
4)    O que você valoriza e exibe? O que você disfarça?
5)    Você tem fome do que?
6)    Você se assume como é?
7)    O que você herdou dos seus antepassados? (formas, cores, beleza...)
8)    Como você lida com a estética e o padrão ocidental dos dias atuais?
9)    O que podemos fazer contra essa cultura que nos deprecia nos enjaula e nos rotula?

Com carinho,
Ana K.

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