terça-feira, 8 de julho de 2008

O diálogo


"Até quando as pessoas se curvarão sem refletir?
Até quando lideranças impunharão espadas afiadas e obrigarão seres humanos a usarem cabrestos como se fossem a última moda?
Até quando a falta de respeito e dignidade prevalecerão sobre o materialismo capitalista selvagem?
Até quando deixaremos que o Caos afete nossa sensibilidade?
Até quando recuaremos por medo que o amanhã seja pior?
Esse é o Ponto de Mutação, o Olho do Furacão.
Está na hora de acordar.
Haja pacificamente e conscientemente.
Mesmo que dialogar pareça uma tolice, uma perda de tempo, uma atitude vã. Mesmo que demore décadas para ocorrerem mudanças efetivas, acredite na humanidade.
Acredite na centelha dentro de cada um.
Acredite no mistério do Sagrado que não pode ser explicado, somente sentido no seu coração.
Faça sua parte!
Construa um mundo melhor a partir das pequenas atitudes pacíficas. A partir da harmonia no seu lar, no seu trabalho, na sua escola...
Não importa o que aconteça, dialogue.
Não importa quem vence, quem perde, dialogue!
Não importa quem tem mais ou menos, dialogue!
Não importa qual é seu partido político, sua religião, seu time de futebol, sua empresa, sua pátria, sua preferência sexual, seus hábitos alimentares. Apenas se dê a oportunidade do contato com o diferente. Se dê a oportunidade de enxergar os diferentes matizes de cores.
Não há mal absoluto, não há bem absoluto.
Tudo não passa de uma grande ilusão.
Nada importa mais que o diálogo feito com Amor. E as pequenas atitudes que fazem a diferença."

L.K. 08-07-08

terça-feira, 10 de junho de 2008

Muito importante... muito sério...

Meninas, ontem em um curso que faço, fizemos uma vivência muito forte com o tambor... sentindo o pulsar do coração, da Mãe Terra... foi lindo!!! O círculo pediu muito para a Nossa Mãe ser um pouco mais paciente com a gente... pra dar um pouco mais de tempo para nos equilibrar, nos reconectar e arrumar as bagunças que andamos aprontando por aí... nisso, esses dias eu recebi de uma prima minha que faz biologia, um email muito sério e muito importante... falando sobre algumas coisas que andam acontecendo... leiam! é compridinho, mas vale a pena!!! Temos que estar conscientes desses fatos...
Se puderem repassar, ou repassar o link do blog seria lindo! ;)
Um beijo enorme a todas!
Ana

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A PRÓXIMA GUERRA

Segue abaixo o relato de uma pessoa conhecida e séria, que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Trata- se de um Brasil que a gente não conhece.
As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui. Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução. Para começar o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense, pra falar a verdade, acho que a proporção é de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto falta uma identidade com a terra. Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro. Se não for funcionário público a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo. Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do Território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%, descontando- se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades. (Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados. Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI. Detalhe: Americanos entram na hora que quiserem, se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem- se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo nerds com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas pasme, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí camu-camu etc., medicinais, ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar 'royalties' para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia... Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: E os americanos vão acabar tomando a Amazônia e em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí: "Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa". A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivos de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem Estrada para as Guianas e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático)... Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares. Pergunto inocentemente às pessoas; porque os americanos querem tanto proteger os índios. A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água são extremamente ricas em ouro encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO. Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa. É pessoal, saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho. Um grande abraço a todos. Será que podemos fazer alguma coisa? Acho que sim. Repasse esste texto para que um maior número de brasileiros fique sabendo desses absurdos.

* Mara Silvia Alexandre Costa Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag. Patog. FMRP - USP

terça-feira, 29 de abril de 2008

Agradecimento



Esse é meu primeiro post no Blog e quero agradecer profundamente o convite para participar de um espaço onde percebo, partilhamos de filosofias de vida, práticas entre outras afinidades.

Acredito piamente que os semelhantes se atraem sempre.

Que seja este um feliz encontro.

Bençãos à Todas!
Forte Abraço!

Libéria

sexta-feira, 14 de março de 2008

Música...

Eu adoro a cantora Adriana Mezzadri, e adorava a mini-série A Casa das Sete Mulheres... hoje escutei a música Sete Vidas, e me tocou muito... sempre me toca... mas hoje foi diferente... Vou postar a letra...
Beijos e uma linda sexta de Afrodite pra todas! ;)
Ana K.

SETE VIDAS - Marcus Viana
Sete estrelas presas no giro
Da roda do céu
Sete flores dançam no pampa
No sul do Brasil
Sete mãos de fadas destrançam
Intrincados nós
Sete cruzes
Sete rosários
Velando por nós



#refrão#

Se a vida é uma longa espera
Então ensina-me a te esperar
Se a vida é breve primavera
Deixe-nos dela beber e já......
Sete rosas rubras de fogo
Amor e paixão
Sete velas luzem por nós
Na escuridão
Sete vidas tecendo tempo
De quem anda só
Sete cartas
Sete destinos
Se fundem num só


#refrão#


Sete rosas rubras de fogo (sete rosas rubras de fogo)
Amor e paixão
Sete velas luzem por nós (sete velas luzem por nós)
Na escuridão
Sete vidas tecendo tempo (sete vidas tecendo tempo)
De quem anda só
Sete cartas (sete cartas)
Sete destinos (sete destinos)
Se fundem num só


Vida...
Longa espera...
Breve Primavera...
Sete vidas tecendo o tempo
Amor e paixão...

sábado, 26 de janeiro de 2008

Acordando Afrodite...

Estou em falta com o blog, eu sei, mas sempre que posso acompanho tudo... e adoro ver quando alguma das belas meninas escreve por aqui! rs
O ano que passou falei, ouvi, escrevi, pensei tanto sobre a Guerrreira Interior (Ex. Atena) que acho que ela me mandou dar férias pra ela! hahaha Tadinha, o ano que passou foi árduo pra ela! Já a minha Afrodite está gritando aqui dentro, querendo se deleitar com um novo amor, sentir, amar e ser amada!
E vcs meninas, como estão com sua Amante Interior? Vcs estão em paz com ela? Ou ela está ferida também? Se está, como pode curá-la?
Retirei de um site o mito de Afrodite, para quem conhece serve para ter contato com ela novamente, e para quem não conhece, bom reconhecimento! ;)

NASCIMENTO DE AFRODITE
De acordo com uma das tradições a respeito de seu nascimento, Afrodite seria filha de Zeus e de Dione. Mas uma versão mais antiga conta que os órgãos sexuais de Urano, cortados por Cronos, teriam caído ao mar e dado origem à deusa. E ainda numa terceira versão, ela teria nascido da espuma do mar.
Após surgir na superfície das águas marinhas, Afrodite foi levada pela força dos ventos à Citera e depois à costa do Chipre, onde as Horas a receberam, vestiram e enfeitaram, conduzindo-a depois para a morada dos imortais (Olimpo). As lendas a respeito de Afrodite são muitas e às vezes divergentes. A deusa teria se casado com Hefesto, o deus coxo de Lemnos, embora amasse Ares, o deus da guerra. Dos seus amores adúlteros nasceram Eros (cupido) e Anteros, Deimos e Fobos (o Terror e o Medo) e a Harmonia. Afrodite tinha um temperamento irascível, era vingativa e possuía um cinturão mágico bordado cujo nome era Cestus (do grego kestós, que significa picado, bordado). Este cinto tinha a propriedade de inspirar o amor. Uma outra variante diz que Afrodite possuía uma fita bordada de desenhos variados que ela usava cingindo o seio, onde residem todos os encantos. Ali estão a ternura, o desejo e a conversação amorosa sedutora que enganam o coração dos mais sábios.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

ACORDANDO SUA GUERREIRA INTERIOR

Há determinados arquétipos que todas carregamos dentro de nós, tais como a criança interior, a amante e a mãe. Alguns desses arquétipos apresentam-se fortemente, enquanto outros ficam adormecidos. Por exemplo, há uma guerreira interna em cada uma de nós, mas em algumas mulheres essa guerreira não é desenvolvida ao ponto de serem capazes de lutarem por elas mesmas, mesmo quando necessário. Pode haver muitas razões para que isso aconteça. Podemos ter sido criadas por pais e mães que tinham esse aspecto guerreiro subdesenvolvido e agora respondemos a essa criação nos reprimindo completamente. No entanto, podemos ter sido criadas por pais e mães cujo aspecto guerreiro se encontrava adormecido e, assim, nunca aprendemos a despertar nossa guerreira interior.

Uma guerreira é aquele que tem força para lutar por aquilo que acredita; alguém que persevera diante dos desafios e dos obstáculos; alguém que fala e age em favor de um ideal; alguém que protege aqueles que são demasiado fracos para lutar por si mesmos. Não importa a razão pela qual sua guerreira interior esteja subdesenvolvida, você pode começar a observar a falta de sua presença protetora e desejar que esta guerreira seja acordada. Você pode precisar lutar por você mesma em um determinado relacionamento ou situação, ou ter uma visão do que você quer realizar, e você sabe que precisará da coragem, da energia e da força de uma guerreira para ser bem-sucedida. De maneira similar, se você achar que se sente freqüentemente com medo, ansiosa ou sem poder, acordar esta aliada adormecida pode ser o antídoto que você precisa para essa situação.

Uma maneira excelente de cultivar a presença de sua guerreira interior é escolher um modelo que tenha qualidades como bravura, força e vitalidade. Esta pessoa pode ser uma personagem mitológica, de um filme, um livro, ou uma figura histórica ou viva que você admira. Simplesmente feche seus olhos a cada dia e contemple sobre a qualidade da energia que o atrai nessa pessoa, sabendo que o mesmo potencial vive dentro de você. Confirme para si mesma que você é capaz de lidar com essa energia de forma responsável e acenda o fogo de sua própria coragem interior.

Tradução: Danielle Sales

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Vou te contar..mesmo que ...




Andrés Felipe e eu, Luciana, possuímos uma herança que nem todos na minha família manifestam ter, e que eu sinceramente se escolha existisse, não desejaria para ninguém; essa herança se chama Osteogênese imperfeita (OI), comummente conhecida como ossos de vidro, ou de cristal.
Assim sendo nossos ossos são frágeis, os dele mais do que os meus, meu nível é 1, o dele é 4, então eu sofri em minha infância 5 ou 4 fraturas, e ele somente neste semestre 6... As fraturas são completas, ou seja partem de lado a lado, o que causa uma dor inimaginável.
Os ciclos de fraturas, gesso, recuperação, duram até a idade adolescente, quando o organismo graças aos hormônios, parece endurecer perante essa patologia terrível.
Até lá ou a pessoa fica reclusa, quieta como em bola de cristal, intocada e solitária, ou segue em frente com mais de mil "nãos" e cuidados, criando consciência de forma temprana quanto à sua fragilidade e impossibilidade em fazer coisas corriqueiras como correr, pular, jogar bola, montar a cavalo...Somente mantendo atividades que não exijam contato físico.
Aí vem a dor, que ultrapassa a física, por que a criança é isso, criança, e tem necessidades impetuosas em ser livre, em viver, experimentar...e essas experiências se tornam limitadas, escassas e pobres.
Não há cura, somente tratamento de prevenção e alívio, tratamento químico chamado "Infusão de Pamidronato dissódico " que visa permitir que o organismo absorva o cálcio que nele existe, e colágeno, e que não se limita a uma aplicação, mas que irá se repetir a cada 4 meses ao longo de 10 anos...
Uma vida, uma vida de idas e vindas, de dor, de medo, e não estou exagerando, pois quem me conhece sabe que sou dura, fria e analítica ao extremo, dura, e quiçá pudera ser diferente sem essa doença, mas aprendi de pequena a não ter pena de mim, a me virar como podia, a ser forte, a não potencializar a dor, e resistir.
Mas agora, ao ver meu filho em situação pior do que a minha, a dureza se dilui, e tenho medo, por que não estou acostumada a ser frágil, (ironia certo? ) não aprendi a mostrar essa faceta, a da fragilidade emocional, por que fui condicionada a não incomodar, a não fazer drama, a não sentir dor.
Mas ele, ele me fez experimentar o choro, ao ler frases de apoio, ao ouvir vozes de rostos nunca vistos, que me acalentam e dão ánimo, a chorar. Aprendi a chorar agora aos 37 anos.
Este tratamento não existe em São Luis-MA, ainda que aqui haja o Sarah, e suas lindas e grandes instalações, nem no Sarah de BSB, ainda que lá apenas uma pessoa possa receber esse tratamento, a 14 anos, mas por motivos nunca desvendados somente essa pessoa tem acesso a ele, lá.
Então partimos, sim partimos eu e ele, em busca desse pamidronato, e fomos à Brasília, por que lá é também centro de referência dessa patologia, do seu tratamento, no HUB, hospital público, sim, mas que em tese devia ser isso mesmo "Centro de Referência", mas não é.
Escolhemos BSB, por que lá mora a nossa família, a paterna e a materna de Felipe, e por que supomos que sendo a capital do país tudo de bom haveria lá.
Mas não, e por isso, eu e ele, passamos o inferno, ainda que eu não acredite em infernos, nem ele, mas se algo é infernal na concepção do que se entende por inferno, é lá.
Uma das possíveis reações ao medicamento seria, em tese muito remota, uma convulsão, mas isso me foi dito, era hipótese, e caso ocorresse haveria uma estrutura e equipe "especial" para conter isso, e cuidar do meu filho.
Não foi assim. Teve febre de mais de 40 graus. Teve convulsão por isso, e não havia nem equipe nem estrutura. O quarto é mais simples que o mais simples, sequer possui oxímetro, somente o berço (sim um berço para uma criança de 4 anos) pequeno, uma cadeira, desmazelada, com molas saindo, onde eu passei 4 dias e 4 noites sentada, sem dormir, a bomba de infusão que controla o medicamento, e mais nada...
Nada mesmo, nem medicamento para febre havia, o que me foi comunicado gentilmente pela enfermeira da noite, acompanhado de um "use os lençóis e roupas dele para fazer compressas, por que também não temos compressas..."
E fui deixada sozinha, lá com ele em convulsão, ardendo em febre, sem celular, por que não pegava ali, nem os meus daqui, nem o que comprei lá. Apenas a mãe da outra criança que fazia o mesmo tratamento que Felipe, me ajudou, com palavras, por que ela estava na mesma condição que eu. E vi medo nos seus olhos. E pena.
Chamei meus deuses, sim, e creio com convicção foram eles os que fizeram tudo parar. Por que Felipe gritava, por não estar me vendo nem ouvindo. Assim ficou por mais de 40 minutos, sem me ver, nem me ouvir.
No dia seguinte, a médica responsável pelo "tratamento", ficou passada, assim disse, com tudo isso, não entendeu por que ninguém a chamou, e me disse que sim, havia antipirético, na farmácia, injetável...Por que não o usou a enfermeira? Tal vez por que o sofá em que dormia a impediu de descer e pegar...
No meu derradeiro dia lá, outra enfermeira, me pediu para "levar os medicamentos que fazem falta, mãe...da próxima vez que você vier...". Detalhe comida não pode entrar, mas medicamento devo levar.
Sim a alimentação. Outro inferno, não podemos levar nada comestível, e as refeições lá oferecidas são precárias. Felipe perdeu mais de 3 quilos em 4 dias. O que é muito em uma criança pequena. No último dia, nem falava mais, nem queria caminhar.
A higiene, bem é um conceito inexistente lá. O salão comunitário onde brincam, comem e descansam as crianças, é decorado com restos de comida das refeições, um chão curtido, móveis que nem sucata aceitaria, e baratas, e ratinhos noturnos.
Preciso do pamidronato dissódico, sim para ele viver melhor, para poder exercer o direito de ser criança.
Mas o país precisa de saúde, de boa saúde, de estrutura para remediar a falta de saúde.
De lugares dignos, sérios e humanizados.
Sim, é hospital público, mas não gratuito, por que caso não saibam, pagamos impostos, do momento em que nascemos ao que morremos.
Esperar um atendimento digno não é esperar um "favor" por que é serviço público.
Preciso do pamidronato dissódico, e também de paz de espírito, de conforto, de apoio, de segurança!
Vou em busca dele, do conteúdo caríssimo de cada ampola (entre 980 e 1.200 reais cada), vou em busca disso em outro lugar, por que pensar em repetir esse inferno, a cada 4 meses é sentença de morte...de morte mental, espiritual e física.
Então é isto, te contei mesmo que possa não interessar o que contei.
Mas hoje, me senti livre para contar isso, após um mês de catarse, após um mês de depressão, contei.

Luciana Onofre

quarta-feira, 27 de junho de 2007

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