terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Prece para a Grande Família - Honrando as nossas relações


Estamos chegando ao fim de mais um ano, de mais um ciclo. Sinto que é um bom momento para agradecermos. Momento de agradecermos as nossas conquistas, aos desafios e aprendizados. Acredito que o ato de agradecermos de coração nos abre portas para que possamos receber cada vez mais amor, paz e prosperidade, que é o que todos nós desejamos para o próximo ano.
Sendo assim, gostaria de compartilhar com vocês esta prece, escrita por índios norte-americanos, e que nos desperta a ter gratidão pela vida. Ela foi retirada do livro "Magia Xamânica", de Durval e Victoria Gramacho.
E feliz novo ciclo a todos e todas!

"A nossa gratidão para a Mãe Terra que navega segura no dia e na noite e para o seu rico, raro e doce solo.
Que seja assim nos nossos pensamentos.
A nossa gratidão para as Plantas, para as folhas de colorido mutante e para as raízes sinuosas que permanecem quietas no vento e na chuva ou dançam na ondulação espiralada das árvores.
Que seja assim nos nossos pensamentos.
Gratidão para o Ar que sustenta a suave andorinha e a silenciosa coruja ao amanhecer de um novo dia, como o sopro das canções e a brisa do claro espírito.
Que seja assim nos nossos pensamentos.
A nossa gratidão para os seres selvagens que são também nossos irmãos, que nos ensinam os mistérios e os caminhos da liberdade e compartilham da conosco das suas vidas com coragem e beleza.
Que seja assim nos nossos pensamentos.
A nossa gratidão para a Água das nuvens, dos lagos, dos rios e das geleiras, cristalizada ou liquefeita, fluindo alegre através de nossos corpos as marés salgadas.
Que seja assim nos nossos pensamentos.
A nossa gratidão para o Sol que nos acorda ao amanhecer, luz que pode cegar, brilho que pulsa através do tronco das árvores, clareia as neblinas e tremeluz nas grutas quentes onde dormem os ursos e as serpentes.
Que seja assim nos nossos pensamentos.
A nossa gratidão ao Grande Céu que guarda em si bilhões de estrelas e que vai além de todos os pensamentos e poderes e, no entanto, faz parte de todos nós. Avô Espaço, a Mente é a sua companheira.
Que seja assim nos nossos pensamentos."

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mistérios Lunares

Olá, meninas!

Deu vontade de compartilhar um texto antigo meu com vocês... Espero que gostem!

Beijocas,
Lua Serena

MISTÉRIOS LUNARES
A lua e a mulher sempre foram associadas. Não é difícil notar porque, já que o ciclo menstrual da mulher é de 28 dias, assim como o ciclo da Lua.
Por esse motivo, acredita-se que para os antigos, a mulher detinha o poder da criação, da morte e do renascimento, ela era regente de tudo que era mutável, transitório.

Pretendo vasculhar um pouco o campo da História para localizar essas afirmações no tempo, mas por hora vamos nos ater ao assunto desse artigo.

Pois bem, em razão de toda essa associação, a lua era e é, para nós, o símbolo da mulher. A mulher e sua "estranha" essência tantas vezes vista e expressada pelas mãos de artistas. Só um artista mesmo para falar dos segredos de uma mulher, essa lua tão adversa!

Desde o poema da maravilhosa Cecília, até a Mulher de Fases, cantada pelo extinto Raimundos, temos tentando compreender essa essência.

Nós mulheres, tão ocupadas com o dia-a-dia, corre-corre, deixamos esquecido no fundo de alguma gaveta empoeirada esse tesouro, o tesouro de ser mulher.

Eles, os homens, enxergam a transitoriedade da mulher como esquisito, por vezes temeroso, algo que não deveria ser como é.

Sem falar da menstruação, "sangue sujo" do qual o homem sente nojo, mas esquece que não fossem os ciclos de suas mães, eles não estariam pisando a Terra.
Acho triste falar na perda que, nós mulheres, tivemos quando do distanciamento dos ritos envolvendo a menarca e a menopausa (temas tratados na primeira parte do bate-papo).

Acho triste, mas nem por isso deixarei de mencionar.

Já ouvi e li uma série de textos falando sobre a culpa do patriarcado, do cristianismo, dos homens. Todos eles como grandes carrascos malévolos que acabaram com as pobres mulheres indefesas e tão boazinhas.

Confesso que até cheguei a acreditar nisso, afinal, é muito cômodo arrumar um culpado pelas nossas desgraças.

No entanto, não estamos diante de uma novela, mas diante da vida. Não somos personagens descartáveis criados por novelistas medíocres.

Somos seres tão complexos, culpados e inocentes de tanta coisa, vilões e heróis de nós mesmos tantas e tantas vezes...

Como dizer que o homem é culpado pelo afastamento da mulher e seus ciclos, se ouço da boca de mulheres, na maioria das vezes, as reclamações e demonstrações de nojo de sua menstruação?
Idéia incutida?

Também não descarto de todo. Mas o que desejo é abrir um pouco a mente das mulheres, para que essas abram as mentes de seus pares e, em noites de lua adversa, o consorte não vire para o lado e durma enquanto a mulher se revira na cama com sede e sem coragem de se entregar por causa do sangue entre suas pernas.

Sabemos que muita neurose, a tão falada e polêmica TPM foram "presentes" dados por anos e anos de desequilíbrio, vêm de uma grande mentira que nos foi contada, vêm do desequilíbrio entre os pólos feminino e masculino. Creio ser possível mudar esse quadro.

Homem, permita-se mudar, abrir a mente e enxergar o que são as "fases tão problemáticas" da mulher.

Mulher, comece com você mesma, observe-se. Chega de comentários do tipo: "ser mulher é horrível", "mulher dá à luz", "mulher fica menstruada", "mulher não goza", "na outra vida quero ser homem".

O primeiro passo para uma conexão com a Deusa e a plenitude feminina é mudarmos nossa forma de pensar.

Se não nos libertarmos do preconceito que envolve a mulher, e claro, a menstruação, não ocorrerá conexão com a Deusa.

O segundo passo consiste numa análise de seu ciclo.Comece anotando os dias em que ocorre a sua menstruação.

Anote em um caderno os seus sentimentos, sonhos, sensações que antecederam o dia da menstruação e também durante o período menstrual.

Interessante notar que, mulheres no período menstrual têm maior tendência a sonhar com flores vermelhas e animais. Já no período de ovulação, a tendência é de sonhar com pérolas, ovos e jóias.

Li isso num livro uma vez e acabei por constatar que ocorria o mesmo comigo.

Preste atenção ao contexto em que eles aparecem e tente fazer uma interpretação.

Interessante também é o conceito de espécies de ciclo, vejam:

Ciclo da Lua Branca: ocorre quando a menstruação acontece na Lua Nova e a ovulação acontece na Lua Cheia.Essas mulheres possuem melhores condições para expressar sua criatividade por meio da procriação. Fica claro, pois a Lua Cheia é a Lua Mãe e a mulher está no seu auge de fertilidade nessa fase também.Mulheres deste ciclo são chamadas de "boa mãe".Portanto, camisinha!

Ciclo da Lua Vermelha: Ocorre quando a menstruação acontece na lua cheia e a ovulação acontece na Lua Nova.Essas mulheres possuem a oportunidade de conhecimento interno. É a bruxa plena, a buscadora, aquela que sabe usar sua energia sexual não só para meios procriativos.

Ambos os ciclos são expressões da energia feminina, fazem parte da mulher e cada uma de nós oscila entre esses dois ciclos de acordo com as fases de nossas vidas.
Quando há essa oscilação, geralmente nos encontramos numa fase um pouco conturbada. Essa fase de transição pode até ser marcada com "problemas" conhecidos como sintomas de TPM.

Um outro exercício até bem simples consiste na observação das fases lunares.
Note as alterações em seu humor, levando em conta o período menstrual, a ovulação.
Tenha as fases como um instrumento a se trabalhar, afinal, como já dissemos, Lua, Sangue e Mulher sempre estiveram associados. Em várias línguas as palavras menstruação e Lua são as mesmas ou estão relacionadas. Notem que "mens" significa "Lua".

Na verdade, quando criamos o hábito de analisar os ciclos, nos aprofundamos com a nossa essência mutável e, conseqüentemente, a conexão com a nossa parte feminina e, claro, com a Deusa, torna-se mais forte.

A partir disso, nossa intuição se aguça, nosso poder pessoal torna-se mais forte, nosso emocional fica mais equilibrado.

Podem apostar nisso.

Comecem a prestar atenção em pequenos detalhes, anotem emoções, sensações, analise. Vocês verão o quanto isso fará bem.

Alguns livros interessantes sobre o tema:

A Grande Mãe - Erich Neumann
As Deusas e a Mulher - Jean Shinoda Bolen
Os Mistérios da Mulher - M. Esther Harding
A Deusa - Teresa Moorey
O Livro Mágico da Lua - D.J. Conway
O Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Lua Nova em Libra (7/10/2010)

Libra governa a casa 7, que inclui todas as relações significativas, até mesmo os inimigos. Por isso, nesta Lua Nova em Libra, eu lhe pergunto: qual das suas relações parecem fora de ordem? Este é um bom momento para agir com o objetivo de trazer o equilíbrio para seus relacionamentos, pois estará aberta uma grande porta para cura destes. E, por falar em cura, acho que também é um grande momento para tentarmos melhorar nosso relacionamento com a natureza.

Mas não pense apenas nos relacionamentos externos. Pense também em como você está se relacionamento consigo. Veja como está sua auto-estima e o que você pode fazer para melhorá-la, pois, antes de tentarmos melhorar nossas ligações com os outros, precisamos ter equilíbrio em nossa relação primordial, que é com nós mesm@s. Massagens, ou apenas um sabonete cujo cheiro lhe agrada, podem fazer parte de seu ritual de Lua Nova em Libra, lembrando-lhe que você é verdadeiramente importante e pode fazer coisas para se agradar.

Este é um momento de esquecer o que já passou e dar continuidade a sua vida, algo que, em minha opinião, é algo não somente bom para você mesm@ como também para seus relacionamentos.

Parcerias no trabalho também estão em alta nesta Lua Nova em Libra.

Autora: Danielle Sales

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

É Primavera!

00h09 começa a Primavera!
Tempo de (re)começos, renovação, novos ares...
Uma linda primavera a tod@s!!!
Libertem-se! Permitam-se!
"...Lá o tempo espera! Lá é primavera! Portas e janelas ficam sempre abertas pra sorte entrar. Em todas as mesas, pão. Flores enfeitando os caminhos, os vestidos, os destinos... E essa canção tem um verdadeiro amor para quando você for".
Vilarejo - Marisa Monte

sábado, 4 de setembro de 2010

Chegando por aqui.


Olá pessoal! Sou Mônica Azevedo, e é com muita gratidão que faço a minha primeira postagem por aqui. Estou envolvida com estudos relacionados a espiritualidade feminina há um certo tempo. Acredito muito que o resgate do feminino é um elemento fundamental para a cura da nossa Mãe Terra. Sendo assim, segue um texto de minha autoria, e com ele espero contribuir para a reflexão acerca do resgate do feminino em todos nós.

A Natureza e o Resgate do Feminino

Desde que iniciei os estudos referentes à espiritualidade feminina, passei a observar o quanto que a sociedade na qual vivemos, com base no patriarcado, condena o feminino e os aspectos relacionados a este. A mulher passou a ser tratada de maneira inferior ao homem, seus potenciais e valores foram reprimidos: a criatividade, intuição, interiorização, busca de recursos internos como meio para atingir o autoconhecimento e cura foram depreciados, arraigados por uma cultura que justifica o feminino como sendo a causa de todos os males da humanidade.
Por outro lado, vivemos em uma sociedade que prioriza e valoriza as aparências. Desta forma, muitas mulheres distanciaram-se da sua essência, não conseguem reconhecer a sua beleza e potencial. Deparamo-nos o tempo inteiro com mulheres que se tornaram escravas de tratamentos estéticos e cirurgias plásticas. Negam, inclusive, a própria imagem e a fase de amadurecimento, bem como o enriquecimento de experiência e conhecimento que este momento da vida traz.
Essa busca para alcançar um padrão de beleza que atenda o que a sociedade espera, muitas vezes resulta na baixa auto-estima, e acaba gerando impactos, também nas demais relações que a mulher estabelece em seu meio.
Observo, também, que os valores enraizados nos dias atuais nos afastam cada vez mais do contato com os ciclos da natureza. Assim, não nos atentamos a respeito dos ciclos em nossa vida e ritmo interior. A menstruação, por exemplo, é vista por muitos, como um incômodo, algo sujo e impuro.
Os conhecimentos adquiridos por nossos ancestrais a respeito da cura por meio das ervas e plantas estão se perdendo. E o que é ainda mais grave, os recursos da natureza são utilizados de maneira inadequada e insustentável, ocasionando todo o desequilíbrio que estamos vivenciando. Todas as formas de vida foram dessacralizadas e a Mãe Terra chora em meio a toda essa destruição.
Vale lembrar que, nas últimas décadas, as mulheres conquistaram sim espaços na sociedade, em virtude das lutas de movimentos feministas.
Atualmente, muitas mulheres assumiram cargos importantes em empresas, encontram-se bem posicionadas profissional e financeiramente. E ainda que possa parecer estranho aos olhos de muitos, estão buscando a liberdade para expressar seus desejos e sexualidade.
Porém, percebo que mesmo que diante de tantas conquistas, a mulher ainda se perde em seus papéis.
Acredito de verdade que homens e mulheres devam ter direitos iguais, para que assim possamos viver em uma sociedade mais justa, digna e equilibrada.
Abraço, de coração, a causa de lutas por salários iguais para ambos os sexos. Compartilho da idéia de que o casal assuma de forma igual às responsabilidades do lar. Lembrando que este é um processo que deve ser construído a dois, afinal, é algo novo para o homem. Ainda, estou de pleno acordo com a aplicação de penas severas aos homens que insistem em ter uma mentalidade arcaica, inferiorizando e tratando a mulher com qualquer tipo de violência.
Porém, sinto que de nada adianta toda essa luta se a mulher não buscar, em primeiro lugar, a sua verdadeira natureza. A mulher precisa aprender a ouvir a essência sagrada que habita em seu interior. Precisa entender o que esta essência quer; qual o propósito da sua vida e assim, colocar seus desejos e sonhos em prática com amor e sabedoria, deixar o poder de criação fluir… precisamos nos lembrar a todo o momento que somos mulheres e temos as nossas peculiaridades, identidade, enfim, somos diferentes dos homens. E a natureza, o Grande Mistério é tão maravilhoso e perfeito que nos criou diferentes justamente para que nós possamos somar e completar.
Hoje, de acordo com a minha visão de mundo, entendo que o resgate da espiritualidade feminina é um caminho essencial para o bem estar, equilíbrio e cura da mulher, da comunidade e da Terra.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dia de Maria Madalena


Antiga celebração de Maria Madalena, na França. Nesta data, mulheres de todos os lugares peregrinavam a uma gruta e, diante de um altar, pediam a Santa que lhes ajudasse a arrumar namorados ou maridos.
Segundo os Evangelhos Gnósticos, Maria Madalena era a companheira de Jesus, conhecida como Maria Lúcifer, na acepção correta deste nome (Lúcifer como doador de luz). Após a morte de Jesus, Maria Madalena tornou-se uma líder dos Gnósticos, competente e respeitada, até que o Apóstolo Paulo proibiu a participação das mulheres na Igreja para liderar, oficinar ou ensinar, transformando a igreja aberta de Jesus em uma instituição patriarcal e exclusiva. Madalena foi morar na França, perto de Marselha. Lá se estabeleceu em uma gruta, levando uma vida de eremita, curando e ajudando as pessoas. A gruta onde Maria Madalena morava costumava abrigar antigos rituais de fertilidade dedicados à Deusa.

*Texto retirado do livro: Anuário da Grande Mãe - Mirella Faur - Ed. Gaia. Pág 167-68.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Do Alban Heflin



Um dia mais curto que outros, uma noite mais longa que outras...
E neste dia/noite se misturam de forma sobreposta um lado ao outro...

São as bem-vindas a um novo tempo...
Aquele onde a Terra se torna mais quieta,
esperando o lado obscuro do tempo.

É a noite para celebrar os ápices!
Da nossa essência, do que de bem colhemos, do que do mal colhemos,
mas em essência colheita nossa, do que fizemos.

Cores e fogos, energias todas
em exuberância se mostram neste dia/noite...
Emoções seguem o mesmo percurso...
Esperando que sejam colhidas e mesuradas...

Não há aqui fórmulas, do fazer e rituar,
por que de Mulheres Sábias sei que é o que mais há!

Celebre esta noite/dia
dentro e fora,
por que aquilo que dentro está
fora também existe.


Sempre grata,


Luciana






Será interessante:


A cor laranja; a cor vermelha; o fogo; a água; alecrim; arruda; amuletos de proteção*; coroas de louro... Dança e música! Pães com as frutas da estação da sua terra; vinho branco...


Amuleto: folhas secas de arruda, sementes de anis estrelado, sal grosso. Dois: um para dentro e um para fora.


Para bons sonhos nesta noite especial durma com folhas de louro sob o travesseiro e celebre os augúrios que Elas ao de lhe dar!




Mais uma vez grata,







O Inverno chegou!

O Inverno chegou!
Celebremos as forças da escuridão e o renascimento da Criança Divina!
Que possamos compreender os mistérios da noite, libertando-nos de nossos medos, rumo a esperança e a recuperação do nosso poder!
Luz!


Beijos e boa estação,
Ana K.

domingo, 13 de junho de 2010

SOS Florestas


Segue abaixo as diferentes visões de 4 pesquisadores especialistas (conheço dois deles e são os caras no que pesquisam) e um deputado sobre O Código Florestal Brasileiro, reflitam! E o link para assinar contra o desmantelamento do código (http://www.sosflorestas.com.br/).

Bem, eu sempre pensei que o mais lógico seria que por trás desses políticos deveriam ter especialistas e não achistas sobre o assunto, mas o buraco está mais embaixo do que isso!


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Folha de São Paulo 5 de junho de 2010

TENDÊNCIAS/DEBATES

O Código Florestal Brasileiro deve ser modificado?

NÃO

O tiro sai pela culatra

THOMAS LEWINSOHN, JEAN P. METZGER, CARLOS JOLY e
RICARDO RODRIGUES

A pressão para atualizar o Código Florestal Brasileiro (CFB) aflorou nos
últimos dois anos, fomentada especialmente por parlamentares ligados ao
agronegócio. Tal como outros intentos governamentais que atritam com a área
ambiental, imprime-se a esse projeto caráter de necessidade quase
emergencial.
A pretendida reforma deveria remover o estrangulamento para a expansão de
terras agrícolas, hoje supostamente bloqueada pela combinação de áreas de
preservação permanente (APP) e reservas legais (RL). Só que esse bloqueio
não existe.
A suposta escassez de terras agricultáveis não resiste a estudo mais
criterioso, como o recentemente coordenado pelo professor Gerd Sparovek, da
Escola Superior de Agricultura da USP (Esalq).
Realocando para cultivo agrícola terras com melhor aptidão, hoje ocupadas
com pecuária de baixa produtividade, e aumentando a eficiência da pecuária
nas demais, por meio de técnicas já bem conhecidas, a área cultivada no
Brasil poderá ser quase dobrada, sem avançar um hectare sequer sobre a
vegetação natural.
A reforma também pretende retirar da ilegalidade muitas propriedades que não
mantêm as APP e RL estipuladas. Para isso, pensa-se em fundir as APP com as
RL e flexibilizar o uso destas últimas.
No entanto, as APP e as RL são áreas que exercem papel complementar na
conservação das paisagens rurais e não deveriam ser tratadas como
equivalentes. Ademais, o uso de RL com espécies exóticas representa uma
completa descaracterização dessas áreas.
Sob a desculpa de proteger as pequenas propriedades, as APP e RL serão
colapsadas, reduzidas e drasticamente transformadas, levando a amplos
desmatamentos e perda de áreas protegidas, que não se destinam apenas a
conservar espécies e a promover o uso sustentável de recursos naturais.
Elas asseguram uma gama de serviços ambientais indispensáveis à qualidade de
vida humana e à própria qualidade e produtividade agrícola. Da proteção
dessas áreas dependem a regulação de cursos de água, o controle da erosão, a
polinização de diversas plantas cultivadas, o controle de pragas, o
sequestro do carbono atmosférico e muitos serviços mais.
Qual a participação da comunidade científica competente na formulação dessas
alterações? Quase nula. Há muitos grupos científicos pesquisando ativamente
a conservação e restauração da biodiversidade e o desenvolvimento de
metodologias que permitam a produção agrícola com a efetiva preservação do
ambiente.
Nem os pesquisadores mais reconhecidos dessas áreas nem as sociedades
científicas relevantes foram ouvidos. Os parlamentares decidiram quem são os
cientistas que merecem atenção e desqualificaram ou ignoraram todos os
demais.
Passado quase meio século de intensas transformações, é necessário atualizar
o CFB, facilitar a produção agrícola em pequenas propriedades, mas sem
deixar de fortalecê-lo nos objetivos essenciais.
Se esses objetivos forem soterrados, haverá sérias consequências para o
próprio agronegócio, porque não apenas se comprometerá os serviços
ambientais, mas o mero cumprimento formal de legislação ambiental inócua não
irá assegurar certificação ambiental respeitada.
E quem duvida de que tal certificação será cada vez mais exigida para
comercializar qualquer commodity brasileira?
É hora de os agroparlamentares e demais envolvidos compreenderem que as
demandas ambientais representam componentes indispensáveis da boa
agricultura, bem como da melhor qualidade de vida.

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THOMAS LEWINSOHN é professor titular da Unicamp e presidente da Associação
Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação.
JEAN PAUL METZGER é professor da USP, onde coordena o Laboratório de
Ecologia de Paisagens.
CARLOS JOLY é professor titular da Unicamp e coordenador do Programa
Biota-Fapesp.
RICARDO RODRIGUES é professor titular da Esalq-USP, onde coordena o
Laboratório de Restauração.



* * *

Legislação atual é inaceitável

ALDO REBELO

A injusta e equivocada tese malthusiana (do conservador inglês Thomas Robert
Malthus 1766-1834), de que a condição do pobre era fruto da lei natural e da
providência divina, portanto, imutável, domina hoje as relações entre as
nações do mundo. De um lado, os interesses concretos das nações ricas e
desenvolvidas, principalmente das suas classes dominantes, se empenham na
apropriação dos bens naturais, já escassos em seus domínios, mas abundantes
entre os países ditos emergentes ou subdesenvolvidos. De outro lado, as
nações pobres que aspiram a seu pleno desenvolvimento, para isso usando seus
recursos naturais, encontram todos os tipos de barreiras: estruturais,
fiscais, sanitárias, e, mais recentemente, as ambientais. Países e até
continentes inteiros parecem estar condenados a se perpetuarem na pobreza,
como pensava Malthus a respeito do miserável em sua época. "Não há vaga para
ele no lauto banquete da natureza", sentenciava o autor. O reacionarismo
desumano de Malthus foi implacavelmente derrotado, na doutrina e na prática.
Mas ressurge, atrasadíssimo no tempo, no confronto da agricultura fortemente
subsidiada dos países desenvolvidos com a produção agrícola cada vez mais
competitiva de nações como o Brasil. E, como se não bastasse a distorção do
subsídio, condenada pela Organização Mundial do Comércio, agora usam a pecha
de agressores do meio ambiente sobre os produtores agrícolas dos países em
desenvolvimento. O confronto ambientalismo versus agricultura brasileira já
é intenso em todas as regiões do país, mas é na Amazônia que se concentra o
seu maior impacto. As nações ricas já não mais podem cobiçá-la, como antes,
mas querem mantê-la tutelada e inabitada, a salvo de qualquer manejo, por
mais ambientalmente sustentável que este seja. É na chamada Amazônia Legal,
principalmente na faixa de transição entre o cerrado e o bioma amazônico,
que ONGs desenvolvem campanhas milionárias para interditar a fronteira
agrícola e a mineração. O dinamismo do país na produção de soja, carne,
algodão e açúcar causa imenso desconforto aos concorrentes internacionais. O
médico e humanista brasileiro Josué de Castro (1908-1973), que lutou contra
as ideias malthusianas, negou, no livro "Geografia da Fome", a suposta
harmonia entre o homem e a natureza da região amazônica. "Na alarmante
desproporção entre a desmedida extensão das terras e a exiguidade de gente,
reside a primeira tragédia geográfica da região." A imagem dessa fictícia
harmonia e a intenção de manter uma Amazônia eternamente inexplorada é hoje
um produto chique de consumo nas nações ricas. Trata-se de uma ficção
produzida por "pop stars", como Sting e seus cortesãos locais, ou levada às
telas por cineastas como James Cameron, em seu filme "Avatar". A Amazônia é
parte do território brasileiro, é corpo e alma do Brasil. Os povos
amazônicos têm o direito de ver sua região se desenvolver. É esse também um
dos objetivos da reforma do Código Florestal, da qual sou relator. Não se
pode aceitar a legislação atual, que coloca na ilegalidade 90% dos
proprietários rurais, o cidadão que arranca uma minhoca da beira do rio ou o
índio que põe raiz de mandioca para fermentar na água de um igarapé. O novo
Código Florestal vai proteger o meio ambiente da Amazônia e de outras
regiões sem impedir seu desenvolvimento e manejo sustentáveis. Essa é a
resposta que o Congresso brasileiro dará ao neoambientalismo dos países
ricos. Ninguém está destinado a viver eternamente na pobreza.

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ALDO REBELO, jornalista, é deputado federal pelo PC do B de São Paulo e
relator do projeto de lei que reforma o Código Florestal Brasileiro.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Lua Nova em Gêmeos - 12 de junho de 2010

Nunca uma Lua Nova teve tanto a ver com o momento que estou vivendo! E posso dizer que estou muito feliz com tudo isso!!!

Se esta lua nova pudesse ser definida em um verbo, eu diria que ele é “aperfeiçoar-se”. Signo de ar e da inteligência, Gêmeos nos incentiva nos estudos, nas novas idéias e tarefas.

A Lua Nova em Gêmeos é considerada uma Lua relacionada ao trabalho. Caso esteja precisando de uma promoção, ou mesmo ter idéias mais criativas no trabalho, essa é a Lua Nova certa para você começar a colocar em prática tudo com que você sonha.

Lua boa para pessoas curiosas, que estão estudando alguma coisa. Mas também devemos ter cuidado com as distrações (olha o signo do ar aí, gente! rs). Por exemplo, quando vamos pesquisar algo na Web, atualmente, é fácil nos distrairmos e nos afastarmos de nossos objetivos.

Nesta Lua Nova, você pode se preparar para o inesperado, mas também para as brincadeiras. É um bom período para unir-se a redes sociais.

É a hora de testar coisas novas, de brincar, de dançar e rir alto. Também costuma ser um tempo de mudança.

Embora esta Lua Nova esteja prometendo muita ação, é bom sempre lembrarmos que precisamos também de um pouco de calma, de meditação e de cuidados com nós mesmas. Nunca é demais ser curiosa em relação a você mesmo e tentar entender seus sentimentos e suas ações.

Danielle Sales

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Menstruator Extraordinaire



Vem da minha adolescência minha paixão por fanzines. Quem me conhece há bastante tempo sabe que sempre gostei de lê-los e, mais ainda, de fazê-los. E foi por causa deles que comecei meu ativismo menstrual, embora quem me conheça há menos tempo ache que foi por causa de minhas incursões pelo sagrado feminino.

Pois há alguns meses achei um fanzine sobre menstruação num local que nunca imaginei que fosse encontrar: no site de artesanato Etsy.

Lá tomei contato com o trabalho de Jamie Schlote, uma norte-americana que fez um trabalho para a faculdade e apaixonou-se pelo tema. Não apenas fez seu trabalho de conclusão de curso sobre menstruação como criou um zine e também um site, que há bastante tempo não é atualizado.

O zine, com suas 38 páginas, é muito informativo, embora os textos se repitam muito para quem já está acostumado com o tema. A autora começa com a história da menstruação, define o conceito de menstruação radical e faz pequenos comentários sobre as opções de produtos menstruais, todos com um toque muito pessoal (o que, a meu ver, é o diferencial do fanzine). Esta parte cobre a maior parte do material.

No meio, como já é clichê em relação ao assunto, há um molde para que se possa fazer seu próprio absorvente de pano, mais ecológico do que os vendidos em farmácias etc. Não falta aquela tabelinha que compara os custos entre os tipos de absorventes e os gastos por ano.

Outros itens comuns são a tabelinha para marcar a menstruação, opções sobre o que fazer com seu sangue e o texto “If Men Could Menstruate”, da feminista Gloria Steinem.

As partes que achei mais interessantes estão no final do fanzine. Primeiro, trata-se da resenha do filme The Period. Não encontrei o filme no Brasil, mas ele é vendido na Amazon. Segundo, há resenha de três livros interessantes, sendo um deles o maravilhoso "Cunt", da Inga Muscio.

Se quiser uma cópia, entre em contato com a Jamie: jamie.scholote@gmail.com

Danielle Sales

domingo, 16 de maio de 2010

Lo Femenino, vida, religiosidad


Lo femenino hoy en día difiere del concepto que antiguamente de él se poseía, o se le daba, pues dependiendo de la época, este vocablo asumió diversas connotaciones.

Si una joven mujer o una niña fuese inquirida sobre lo que para ella significaba esta palabra en plena década de los 40 ó 50, ella imediatamente se volcaría  a la condición de subyugo o servidumbre ante lo masculino y a su capacidad como mujer en mantenerse dentro de los patrones que debería seguir para ser considerada como un ser “femenino”, y para poseer dicha catalogación ella  tendría que corresponder a ese patrón que no fue determinado por otras imágenes femeninas, pero sí por la figura patriarcal, o sea, cumplir con su deber de hembra procreadora, administradora del hogar y la familia, con abnegación cuanto al matrimonio y la creación de su prole, y generalmente  la omisión sobre sus deseos y voluntades.

Hoy al referirnos a lo “femenino” accionamos un sinnúmero de significados y significantes, así como valores que en tiempos idos podrían incurrir en la desclasificación de la mujer como ser “femenino”.

Las reglas son otras y dentro de lo femenino incluimos también nuestra capacidad de procrear, pero sin tenerla como el eje de nuestras vidas, encaramos la feminidad  con suavidad y respeto sin tener la obligación de masculinizar nuestras opciones para que seamos aceptadas y adsorbidas por el mundo, pues nuestro universo es más diversificado, por que nuestro “femenino” es hoy más elástico; la maternidad, el hogar, el sexo, son complementos no finalidades y dentro de esas opciones, nuestra capacidad para tomar decisiones es más imperativa que nunca.

Dentro de esta nueva cosmovisión sobre nuestro femenino, el hombre aprende a descubrirse también como ser que posee ese aspecto, dejando hacia atrás una postura severa, huraña y castradora de hombre “machista/macho” que inhibe emociones y se dedica apenas a temas “serios”. Entre los que la religiosidad permanecía excluida, si no fuese un hábito familiar el hecho de ir a la iglesia, pero sin mantener un mayor lazo con ello.

La religiosidad que descubre al “femenino” como eje permite esa abertura rumbo a otros medios de entendimiento para prácticas personales religiosas, que se mantienen vivas en lo cotidiano, permitiendo  que el contacto con las deidades sea algo más cercano, más sentido, sin tener que esperar por el día y la hora marcada.
Y abre así, puertas para que se discutan temas que podían antes surgir en la mente, pero que jamás serían exteriorizados, como cuestionar los conceptos petrificados sobre el pecado, la culpa, la condena eterna, que las religiones centralizadas en lo masculino difundieron a lo largo de los siglos y tierras, así como la sexualidad y una nueva postura cuanto a ella, donde se la hace algo placentero, no solamente para la figura masculina, ni como único objetivo para la gestación de la prole.

Permitir una postura reflexiva religiosa no implica en “crear” nuevos conceptos al gusto del practicante, pero sí poseer la libertad de reconocer o no las teorías ya existentes y poder analizarlas sin presiones externas castradoras, mutiladoras del libre pensamiento y acción.

Debe ser diferenciado este camino espiritual, de la generalización que durante años viene ocurriendo en la que se presentan las creencias matrifocales como siendo apenas la creencia wiccana, lo que es una noción errónea pues ni todo individuo comprometido con la creencia matrifocal es por obligación miembro de la religión Wicca.

Así siendo, debe ser elucidado este punto claramente. En que las deidades femeninas y sus rituales no están comprometidos exclusivamente con la Wicca, pero si representando papel central en otros núcleos como el Chamanismo Femenino, en grupos dedicados al rescate de lo Sagrado Femenino Pagano, en fin, entender que otras esferas focalizan lo divino femenino.

Descubrir la religiosidad matrifocal, la existencia de un culto milenario  a las Diosas, no excluye la creencia en deidades masculinas en absoluto. Pero abre lugar y espacio para la mujer dentro de las actividades sacerdotales y ritualísticas que por mucho tiempo le fueron negadas.

Entre tanto, se acepta la lectura exclusiva del culto a las Diosas, sin su contraparte masculina, sin compañero y debe ser respetado de esta forma, pues la diversidad dentro del culto a la Diosa, lo permite, sin banderas de oposición y opositores que se destruyan en arenas. Pero es importantísimo entender y respetar esa actitud que muchas mujeres optan por tomar, en la que lo masculino es dejado de lado, como consecuencia de una serie de acontecimientos y elecciones personales o colectivas.

Sin embargo, en ese quehacer y ser de la religiosidad centralizada en creencias matrifocales (aunque hoy exista una conciencia mucho más equilibrada sobre temas de género), surgen individuos que para tal actitud lanzan críticas constantes, empleando un discurso fóbico y que con ello rebajan a si mismos por resaltar el prejuicio, sexismo e ignorancia, y a la mujer sea esta seguidora o no de tal creencia.

Ese ataque descontrolado y sin fundamentos atemoriza a muchos. Muchos, pues ni todo seguidor del culto a las Diosas pertenece exclusivamente al sexo femenino, impidiendo que las personas se identifiquen abiertamente con dicha práctica y a veces manteniéndose calladas y omisas, delante de burlas nada simpáticas, donde el objeto de la crítica es lo divino femenino y la categoría que él asume dentro de la fe y la religiosidad de muchos paganos.

Así siendo creo yo que hoy lo femenino se muestra más liviano y asequible, incluyendo posturas que antes resultarían contradictorias para nuestra condición femenina.

Ser mujer y pagana se manifiesta hoy como una opción sin connotaciones de feminismo extremista, ni como club de las mujeres, pero si se identifica con lo femenino divino, como opción en la que caben hombres y mujeres de todas las edades sin preocupaciones excluyentes ni devaneos utópicos.

¿Lo femenino dentro del Paganismo permite que todos puedan manifestarse, opinar, dialogar y discutir sin miedo a frases represoras?
Depende de cada uno de los que en esta creencia están inmiscuidos, del respeto que consiguen tener por los demás y para consigo mismo.

Y depende de forma preponderante de la capacidad que hay en dejar de lado nociones antiguas, fosilizadas, que dentro de nosotros intentan supervivir y perpetuar la exclusión, el perjuicio, la falsa moral y la falta de respeto sobre las creencias ajenas y diferentes a las nuestras.



Luciana Onofre

São Luis-MA

terça-feira, 11 de maio de 2010

Biopoder

Biopoder

Desde que é representante de zoé*, mais do que de bíos - pois chegar aqui é ascender à pólis, e para chegar à pólis é preciso estar na linguagem - a mulher está submetida à posição do corpo nu, da vida nua (o que Walter Benjamin chamou de bloss leben).

Bíos é o termo que, desde Aristóteles, é usado para designar o território da vida qualificada. Em seu sentido mero e simples a vida é designada por zoé. A mulher pertence ao território dessa vida desqualificada. Toda a medicina desde os primórdios pode ser analisada sob a prima da biopolítica. Assim como toda indústria estética e toda religião que tenta definir padrões de beleza e forma para o corpo, visando à manutenção do poder sobre o corpo das mulheres. A Indústria do Corpo é o modelo análogo ao que se denominou no século XX, a Indústria Cultural. Na Indústria da Cultura a mercadoria é a arte que destituída de seu poder político. Que seja domesticado. A indústria do corpo serve à manutenção do corpo pré-político, do corpo manipulável, do corpo sem voz ou qualquer expressão. A mera vida de uma mulher reclusa em concentração doméstica, ou nas páginas de pornografia ou proibidas de abortar. Que mulheres não sejam donas de seus corpos, eis o que significa o biopoder.

*Termo grego que significa "vida", "vida nua", "vida natural".


Texto retirado do livro: "Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero" - Márcia Tiburi e Bárbara Valle. - Ed. Edunisc - pág 62 e 63.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Campanha Segunda Vermelha 2010 - PORQUE MENSTRUAR INTENSIFICA A VIDA!

CAMPANHA SEGUNDA VERMELHA 2010! - 3ª edição


1 MILHÃO DE MULHERES CELEBRANDO SUA MENSTRUAÇÃO!


PORQUE MENSTRUAR INTENSIFICA A VIDA!


DEDICADA À REEMERGÊNCIA DA CULTURA DA MULHER


ATIVISMO MENSTRUAL EM AÇÃO!


Quando? 03 de Maio de 2010
Onde? Brasil
Tema da Campanha 2010: Arte Visual (arte reciclada, foto, imagem, popart, escultura, etc)
Como aderir?
* Blogagem Coletiva: cyberativismo menstrual. Use a imagem a cima e dê os créditos. Use e abuse do do conteúdo do blog da campanha.
**Em grupo: Unindo Mulheres!
- Junte mulheres (irmãs, amigas, colegas de trabalho... convoque!!!)
- Usem Vermelho!
- Literatura indicada: O Poder do Meu Sangue - Autora: Lara Owen
- Use material reciclado para criar alguma arte: ventres, ovários, quadros, bolsas... qualquer coisa que possa ser fotografado e enviado para Sabrina Alves (Coodernadora da Campanha no Brasil). O material será publicado no blog da campanha. Não esqueça de mandar o local, nome e o que quiser expôr sobre sua experiência.
***Sozinha: Agindo localmente
- Vá para o trabalho usando vermelho;
- Escreva algo em seu blog (se possuir);
- Use imagens cedidas pelo blog da campanha;
- Use material reciclado para criar alguma arte (ventre, ovário, quadro, bolsa... qualquer coisa que possa ser fotografado e enviado para Sabrina Alves (Coodernadora da Campanha no Brasil). O material será publicado no blog da campanha. Não esqueça de mandar o local, nome e o que quiser expôr sobre sua experiência.
ALGUMAS INFORMAÇÕES:
*Para colocar no Blog http://www.segundavermelha.blogspot.com/ onde será o seu ato ou ação, escreva para cladosciclossagrados@yahoo.com.br e passe todas as informações e para as demais mulheres da sua cidade.
**Museu da Campanha: Registre sua ação ou ato. Envie para a coordenação do blog para que possa ser feito um webmuseu da campanha.
***Fique a vontade para usar o material da campanha, mas por favor, dê os créditos.
****Sobre Custos: A intenção da campanha não é gerar fundos. A sugestão é que ao organizar um grupo de ação é que não se cobre nada ou um valor irrisório.
O QUE É A CAMPANHA SEGUNDA VERMELHA? Para saber mais sobre, acesse: www.segundavermelha.blogspot.com/search/label/2008
Coordenação da Campanha Segunda Vermelha - Brasil

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Da Abuela Margarita



“¡La felicidad es tan sencilla!, consiste en respetar lo que somos, y somos tierra, cosmos y gran espíritu. Y cuando hablamos de la madre tierra, también hablamos de la mujer que debe ocupar su lugar como educadora”
PAlabras de la Abuela Margarita


Luciana Onofre

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Menstruação: o tempo da consciência corporal


Durante o período menstrual somos chamadas a olhar profundamente para nosso corpo, muitas sentem o grito desesperado de seu ventre pedindo descanso, as dores são terríveis, tudo fica desastroso, o sangue jorra sem parar e tudo vira um caos. É assim que nosso corpo se comporta quando estamos desconectadas de nós mesmas.
O sangue menstrual é um ritual mensal, não podemos eliminá-lo de nossas vidas, ele faz parte do nosso tempo de mulher, onde devemos desacelerar e cuidar de nós mesmas, cuidar dos pequenos detalhes que não damos importância nos dias que correm... aquele cuidado interno, de introspecção, de meditar sobre tudo que se passa a nossa volta e, principalmente, de resgatarmos nossa conexão psíquica e espiritual com nossa alma.
Não precisamos fazer grandes rituais, apenas nos conectar com nossa essência e respeitar este ciclo sagrado que nos acompanha e nos traz a possibilidade de renascimento interno, permitindo darmos a luz a nós mesmas.
Muitas mulheres sofrem durante a menstruação ficando extremamente perturbadas, simplesmente porque perderam a conexão consigo mesmas, não se lembram mais o que esse período representa em suas vidas. Ao invés de explorá-lo, acabam desconsiderando esse fato; este poder, que se expressa em forma de sintomas desconfortáveis, poderia atuar de forma mais tranqüila e menos perturbadora se trouxessem a consciência do momento presente para suas vidas.
Esses sintomas são apenas uma manifestação superficial de uma perturbação mais profunda que pode ser causada por uma disfunção hormonal, deficiência nutricional, problemas emocionais e, nesse período, acessamos nosso inconsciente através do corpo, e faz com que nosso fluxo seja mais leve ou pesado, com mais dor ou menos dor. Esses sintomas são portadores de informações sutis que nosso corpo absorve e precisa expelir em algum momento, se não em muitas vezes vira uma doença, e uma das principais causas disso são as emoções não demonstradas, onde guardamos muitas mágoas e não conseguimos elaborar o que precisa ser liberado.
Conexão do útero com o inconsciente - A síndrome pré-menstrual que afeta a maioria das mulheres e que traz a tona irritabilidade, agressividade, ansiedade, mudanças de humor, entre outros casos mais graves, em grande parte são emoções contidas que são liberadas através desse portal que se abre permitindo a liberação dessa energia. E isso serve de alerta para fazermos um questionamento sobre nossa vida e sentir internamente: O que eu gostaria de estar fazendo nesse momento? Que coisas estão trancadas na garganta e não consigo falar? O que eu gostaria de experimentar? Estou contente na minha profissão, com a vida que tenho? Estou me permitindo ser feliz? Essa e outras perguntas devemos fazer sempre para nos tornarmos conscientes da nossa própria vida.
A conexão do útero com o inconsciente é uma dádiva do tempo da lua. A sabedoria ancestral das mulheres está ligada ao útero e essa energia se espalha trazendo a consciência corporal devidamente sagrada para nosso momento de ser mulher, desperta nossa capacidade de nos conscientizarmos das diferentes partes do nosso corpo e das sensações físicas causadas quando estamos em desarmonia.
Nossa cultura valoriza e prioriza horários e compromissos tendo como base a eficiência industrial e não as necessidades do nosso corpo, somos obrigadas a ir trabalhar mesmo estando indispostas, com resfriados, cólicas, dores de cabeça, temos que suportar a dor e mostrar domínio sobre o nosso corpo mesmo estando desonrando a nós mesmas.
Nesse período de purificação, permita-se não fazer nada, ouça a mensagem do seu corpo pedindo para parar, ouse se retirar e se conectar com os antigos conhecimentos adquiridos, fazendo essa interrupção natural para o descanso e a revitalização do corpo e da alma, conservando sempre uma atitude de amor por si mesma, de respeito, de entrega, amor pela realidade de ser mulher e, aos poucos, o equilíbrio se tornará constante em sua vida.
Por Simone Alves



terça-feira, 16 de março de 2010

Dia da Deusa Morgan/Morgana/Morgen/Morgan Le Fay

Dia dedicado a Morgen ou Morgan Le Fay, a Sacerdotisa de Avalon, a ilha sagrada da mitologia celta. Morgan ficou conhecida mundialmente com o livro "As Brumas de Avalon" como Morgana, a meia-irmã do Rei Arthur. Originalmente, ela era uma deusa "escura", que regia as Ilhas dos Mortos e presidia a morte e o renascimento dos heróis mortos em combates.
Em várias línguas celtas, "mor" significava mar, sendo os espíritos das águas chamados de Morgens. A mais famosa deusa do mar recebeu o título Le Fay - A Fada. Na mitologia galesa, Morgan era considerada a Rainha de Avalon, o mundo subterrâneo dos mortos para onde ela levou Arthur após seu desaparecimento deste mundo. Em outras lendas, Morgan pode ser maga ou curadora, que vivia com suas oito irmãs na Ilha de Avalon ou ainda um aspecto da deusa da morte Morrighan.
Por ser a maçã o símbolo de Avalon ("Avallach" significa maçã), comemore comendo uma maçã cortada na horizontal, observando o pentagrama formado pelas sementes. Medite sobre seu caminho espiritual, pedindo à Deusa que afaste as brumas das incertezas e ilumine sua busca, permitindo sua transformação e renascimento.


*Texto retirado do livro "O Anuário da Grande Mãe" - Mirella Faur - Ed. Gaia.
** Imagem retirada do site da artista Jessica Galbreth

domingo, 7 de março de 2010

Mulher na prateleira

MULHERES, CERVEJAS e DEVASSAS
Reflexões urbanas
Por Flaviana Serafim

Bem loura. Bem devassa. Finalmente ela chegou, pegando os cervejeiros de plantão pelo colarinho. Da janela de seu apê (como que fazendo um show para os cariocas em Copacabana), Paris Hilton desfila, faz caras e bocas com latinha de cerveja na mão enquanto sua imagem é devassada pelo olho comprido do vizinho, do velhinho que joga dominó na calçada, pelas moças e rapazes que circulam na praia. Inocente, não? Então porque será que a propaganda, criada pela agência Modd para a Schincariol está gerando tanta polêmica?
De um lado, os bebedores de cerveja estão abismados, considerando essas críticas absurdas, falso puritanismo num país tropical, do carnaval e das mulatas seminuas. Do outro, mulheres revoltadas questionam o uso da imagem da fêmea fatal para vender cerveja.
Para além das imagens, que misturam tesão, cerveja e a bad blond girl Paris Hilton esfregando uma lata de cerveja pelo corpo, o nome "Devassa" é dos piores que algum marketeiro poderia escolher. Quem será esse gênio? Acredito que ficou pesado primeiro pelo nome, depois pela propaganda de mal gosto. Já que era pra devassar, deviam colocar a fofolete Paris Hilton de quatro no rótulo, oras!
No site oficial do produto, a Schincariol explica: "Uma cerveja que se autoproclama DEVASSA deve ser no mínimo autêntica. Porque assume tudo o que as outras gostariam de ser, mas tem vergonha". Tenta mudar o significado de devassar, afirmando que "Devassa é bem alegre, tem aquele astral que atrai coisas boas (...). Pedir uma Devassa tem a dose certa de segundas intenções". Esse mote diz tudo sobre o que saiu da cabeça do infeliz publicitário botequeiro que criou essa peça. E finaliza: "Com Devassa, a vida fica bem gostosa".

Eis as definições para devassar no dicionário Michaelis:

> de.vas.sar
> vtd 1 Invadir ou observar (aquilo que é defeso ou vedado): Devassar a casa do vizinho. vtd 2 Ter vista para dentro de: Nossa janela devassa os outros apartamentos. vtd 3 Descobrir, penetrar, esclarecer: "...o desejo nos levou a devassar os segredos dessas terras afastadas" (Gonçalves Dias). vtd 4 Olhar, contemplar: "Saíra, abriu os olhos e devas­sou a sombra com pavor" (Coelho Neto). vti 5 ant Fazer inquirição, devassa: Devassar da cumplicidade no crime. vtd e vpr 6 Prostituir(- se), tornar(-se) devasso: A miséria e a fome devassaram-na. Sem moral nem religião, devassou-se. vpr 7 Vulgarizar-se, generalizar- se: A moda devassou-se.

A polêmica propaganda foi "censurada" pelo Conselho de Autorregulação Publicitária (CONAR). É preciso destacar as aspas dessa "censura" porque a medida foi tomada por um órgão ligado ao próprio mercado publicitário, apesar dos defensores da campanha reclamarem da interferência do governo federal (uma queixa foi apresentada pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres).
Com moralismo barato ou justa autoregulamentaçã o, a polêmica é ótima para trazer à tona dois debates ignorados pelos consumidores, marketeiros e pela mídia: 1. o quanto e como a imagem das mulheres é usada para vender qualquer coisa; 2. os limites do apelo para estimular o consumo de bebida álcoolica.
Para os devassos cervejeiros nada vai mudar. Na verdade, toda essa discussão tende a aumentar a exposição e as vendas da marca. E não acredito que esse fato isolado vai abrir os olhos femininos para que as mulheres deem conta do abuso a que estamos expostas, vendendo lixo ou carrões bacanas. Mas é um começo. Basta devassar outras propagandas e perceber que muda loura - ou a morena - mas as mulheres continuam lá, expostas como carne em vitrine de açougue.
Flaviana Serafim é jornalista e blogueira do São Paulo Urgente




Mais um pouquinho para ampliarmos a reflexão...

QUEM É ESSA DEVASSA?
Por Eduardo Guimarães

Foi um massacre a reação da mídia contra a decisão do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) de suspender a exibição de propaganda da cervejaria Schincariol que se utilizou da bombshell Paris Hilton para promover o lançamento de sua cerveja batizada como “Devassa”.
Nos jornais e em dezenas de sites e blogs ligados aos grandes meios de comunicação, a reação foi de uma ironia uníssona por conta de uma medida tida como “moralista”. Os tantos textos nesse sentido parecem ter sido escritos todos pela mesma pessoa.
A tese pseudo liberal seria a de que em um país de sensualidade marcada de suas mulheres e no qual várias outras propagandas de cerveja apelam para a sensualidade mostrando mulheres de “fio-dental” na praia, seria ridículo proibir a propaganda da cerveja Devassa por conta das poses sensuais de Paris em um comportado “tubinho” preto.
O Conar deliberou nesse sentido por moto próprio e também sob denúncias de consumidores e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, órgão do governo vinculado à Presidência da República. Ter um órgão do governo Lula vinculado à decisão do órgão regulador gerido pelo setor publicitário foi o que bastou para começar a gritaria midiática sobre “censura”.
Particularmente, sou contra o moralismo. E se, de fato, formos analisar a indumentária de Paris Hilton na propaganda proibida, veremos que, em termos de permissividade, nem se compara aos trajes de praia das propagandas das outras cervejarias, as quais encasquetaram que devem associar o consumo de álcool a jovens saudáveis e de corpos “sarados” divertindo-se saudavelmente na praia.
Contudo, a meu ver é escandalosamente claro que a propaganda da Schincariol é mais inaceitável do que as outras. Apesar de ser absurdo associar jovens saudáveis a consumo de álcool, isso vem sendo feito de forma a não denegrir grupos sociais ou de gênero. Jovens usarem roupa de banho na praia é um comportamento absolutamente normal. Exaltar a devassidão de uma mulher, não.
Uma mulher devassa é uma mulher libertina. Conforme explica o Houaiss, libertino é aquele que leva uma vida dissoluta, que se entrega imoderadamente aos prazeres do sexo, que revela irreverência a regras e dogmas estabelecidos, especialmente à religião e à prática desta, que não tem disciplina e que negligencia deveres e obrigações.
Quando uma propaganda de cerveja diz que a Juliana Paes é “boa”, é por ela ser bonita. E quando a exibe na praia em trajes que qualquer moça de vida regrada usa, não vejo estímulo a comportamentos degradantes como o da foto acima, feita no âmbito da campanha publicitária em que logo em seu lançamento a protagonista fica “de quatro” em uma festa com uma lata de cerveja na mão.
Essa gritaria midiática contra uma medida correta de proteção à imagem da mulher e contrária ao estímulo a comportamentos degradantes como a devassidão pode até ser prestação de serviço à cervejaria que fez a propaganda. Contudo, o fato de se poder usar a decisão do Conar para atacar mais um pouquinho o governo, deve ter pesado muito.
Eduardo Guimarães é presidente do MSM - Movimento dos Sem Mídia e escreve o blog Cidadania.com

Eu, Ana Paula, mulher, quero destacar o seguinte parágrafo:

"A tese pseudo liberal seria a de que em um país de sensualidade marcada de suas mulheres e no qual várias outras propagandas de cerveja apelam para a sensualidade mostrando mulheres de "fio-dental" na praia, seria ridículo proibir a propaganda da cerveja Devassa por conta das poses sensuais de Paris em um comportado "tubinho" preto".

Bem... qualquer mulher tem o direito de ficar de quatro, com tubinho ou sem tubinho, seja ele preto ou vermelho, inclusive com uma lata de cerveja na mão. Também tem todo o direito de ir a praia de fio-dental e tomar sua cervejinha... O que não é concebível é tornar o Feminino produto de supermercado e ainda dos mais baratos. Não estou dizendo que seria a favor se fosse um produto mais valorizado e encontrado somente em mega-shopping's... estou querendo, na verdade, convidá-las à refletir sobre uma questão que norteia as propagandas em questão: a SEXUALIDADE e a SENSUALIDADE FEMININA.
O que estamos fazendo com nossa Sexualidade? Que relação temos com nosso corpo e com estas duas propriedades (entende-se próprio da mulher)?













Não sou contra as moças que ganham o "pão de cada dia" servindo cerveja ou fazendo poses, nem contra as mulheres que vivem (ou sobrevivem) vendendo sua imagem.
Também não vou entrar na questão "papel da Mídia" e "decisão do CONAR", isso já está batido. Quero incentivar uma reflexão sobre o que pouco se fala (se é que hove algum comentário)... Quero chamar nossa atenção para a responsabilidade (ou contribuição) da mulher na desvalorização do Feminino ou na redução dela à um produto. A tal ponto que é preciso que órgãos ou instituições públicas saiam em nossa defesa e garantam nossos direitos, porque a própria mulher não se valoriza. Absurdo isso!!! Fico p... da cara.
((Juliana, me desculpa, te acho linda, mas assim não somos mais amigas!))
Mulheres, por favor, se valorizem!! Cuidem do Sagrado!
Se você virar um produto vai faltar mulher de verdade na cama.

Por Ana Paula Andrade

Conheça a Rede Matríztica

Imagens google

sexta-feira, 5 de março de 2010

Um olhar para dentro...


As pessoas buscam incessantemente se qualificar e se tornar grandes profissionais, mas na correria do dia-a-dia esquecem de se cuidar, de olhar para dentro de Si mesmos e de se perguntar: o que estou fazendo aqui? De que forma posso ser útil nesse planeta?
Das várias línguas que falam, nenhuma é útil para falar consigo, nenhuma lhe dá condições de compreender o idioma do seu Interior.

Trabalhamos, compramos, usamos, vendemos e construímos coisas e pessoas, tratamos de política, economia, física, ciência, enfim..., estamos sempre precisando saber o que está acontecendo no mundo, mas no fundo somos crianças brincando no teatro da existência, sem poder alcançar sua complexibilidade.

Não sabemos quase nada, quase tudo é um mistério, mal sabemos porque estamos aqui ou para onde vamos, cada um tem sua opinião ou sua fé, cada um acredita em algo diferente.
Apenas brincamos neste deslumbrante Planeta.

A existência é breve no tempo, existem coisas além de nós, somos pequeninos diante do Universo e muitos ainda só olham para seu próprio umbigo.

Não somos o centro do Universo, somos andantes na trajetória da existência que desconhecemos.
As pessoas vivem vidradas na cotação do dólar, em carros, viagens, dinheiro, poder, status, nos programas de TV que ensinam e mostram valores esdrúxulos para nosso crescimento, estamos cheios de atrativos.
Mas, muitos jamais olham para o seu Eu, muitos não querem se conhecer e resolver seus conflitos internos, por isso tornam-se entediados, angustiados, deprimidos, depressivos e cheios de tranqüilizantes e remédios, por ser a alternativa mais cômoda e menos dolorosa. Pois temem olhar para Si mesmos.

Precisamos nos amar, ter um romance com nossa própria vida, só assim poderemos Amar e ser Amado e descobrir a extraordinária razão de estar aqui.

Simone Alves
Evolução Feminina

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A Colcha de Retalhos


Fiquei intrigada com índice de tristeza que vem assolando as pessoas ao meu redor ultimamente...

Mas, afinal de contas, o que tem a ver esse sentimento com magia, espiritualidade, bruxaria e afins?

Eu diria que muito!

Afinal, a Arte é a arte de transformar... Transformar também as tristezas e amor puro, claro.

E é por esse viés que eu começo a tecer essa pequena colcha de idéias sobre o amor e bruxaria.

Mesmo por que... as bruxas possuem uma entrelaçada ligação com o tear, afinal de contas, somos filhas da Fiandeira do destino, Aquela que tece... tece...

ESCOLHENDO OS TECIDOS

Viver a Bruxaria requer bem mais que apenas estudar as origens da nossa crença ou saber que planta ou pedra usar para a feitura de um feitiço. Ser bruxa de verdade requer profunda transformação, trilhar a senda da Bruxaria é transformar-se. Portanto, uma mulher que se diz bruxa deve escolher muito bem os tecidos que usará em sua colcha.

É bem possível que no decorrer do tempo, vocês, mulheres como eu, tenham vivido alguns relacionamentos que em nada levaram. Talvez vocês tenham se deixado levar, é tão fácil se escravizar, virar o satélite de alguém... por amor (?).

Complexo viver nos dias de hoje em que temos de ser perfeitas criaturas, lindas, sexy, boas mães, boas profissionais, boas em tudo. É fácil nos perdermos no meio de nós mesmas. É fácil ficar perdida entre o que somos, o que fomos, o que devemos ser, o que querem que sejamos. De fato temos respostas para todos esses questionamentos?

Talvez o cerne de tudo esteja nos tecidos que escolhemos para fazermos a nossa colcha do amor.
Não precisamos buscar no baú das nossas lembranças apenas os tecidos mais belos e mais fortes, pois a nossa colcha deve ser feita também com os tecidos menos bonitos.

Reúnam os retalhos da vida, desde aquela seda maravilhosa, o algodão macio, até a lã mais felpuda... juntem com aqueles retalhos ásperos que as incomodam ao passar a mão. Para cada retalho áspero, dois retalhos suaves são suficientes.

Uma boa colcha de retalhos, para nos agasalhar, deve conter todos os retalhos que no baú das lembranças a gente encontrar.

Para saber se é um retalho que servirá para a sua colcha, peguem-no, coloquem-no junto ao peito, sintam o cheiro. Para onde ele te leva? Os cheiros nos levam a tantos lugares... Se o retalho fizer o corpo reagir, o coração acelerar, os olhos marejarem, a boca se abrir num sorriso ou num suspiro... Então é um bom retalho para a colcha de vocês. Se o retalho lhes incomodar quando vocês o trouxerem junto ao peito, se o retalho pinicar o corpo, se fizer com que suas sobrancelhas se juntem franzidas... Então também é um bom retalho para fazer a colcha.

Não que seja preciso dizer mas... deixem de lado retalhos sem cor alguma, tecidos neutros não devem fazer parte da colcha de vocês.

Acreditem, com essas dicas, vocês saberão distinguir quais os retalhos ideais para a colcha.
Lembrem-se: para cada retalho áspero, dois retalhos macios.

SEPARANDO AS LINHAS

Depois de reunir os retalhos é importante separar as linhas para que vocês consigam unir os retalhos macios com os ásperos.

Procurem no baú da memória aquelas linhas mais fortes e de cores mais intensas. Dê preferência àquelas linhas e fios que remetem vocês a algum cabo de guerra da vida. Segurem firmemente os fios que você sescolheram ao abrir o baú e puxe com as duas mãos, lembrando que as cores vivas são importantes. Linhas vermelhas de paixão, de garra, de luta. Para que a colcha não se desfaça nos invernos que ainda estão por vir, as linhas precisam ser fortes como aquele tempo em que achávamos que podíamos mudar o mundo, ou como aquele momento em que estivemos tão certas daquilo que queríamos e lutamos até sangrar para conseguir.

Cores quentes e vibrantes de linhas fortes e duráveis... Ideal para unir os retalhos bons aos ruins.

Lembrem-se: para cada retalho ruim, dois retalhos bons estão de bom tamanho.

TECENDO A COLCHA

Vocês já escolheram os retalhos e as suas linhas, agora é hora de tecer.
A colcha deve ser tecida de forma que a linha forte que vocês escolheram prenda o retalho áspero entre os dois retalhos macios. Isso é muito importante!
Quando envolvemos o retalho áspero com os retalhos macios damos a oportunidade do retalho áspero fazer seu trabalho, que é dar forma e rechear os retalhos macios. Sem o retalho áspero não saberíamos quão macios são os retalhos que servirão para nos cobrir.
Os retalhos ásperos não devem ser sentidos enquanto nos cobrimos com a colcha. Portanto, prenda muito bem os macios. Usem as linhas fortes para segurar o retalho áspero dentro dos dois retalhos macios.
Vocês sentirão que a colcha feita desta forma irá cobrir vocês com o peso ideal. Não se faz uma verdadeira colcha de retalhos do amor só de retalhos macios, fica leve demais, parece que estamos sozinhas, sozinhas de nós mesmas... pode não ser suficiente para cobrir nas noites frias do inverno.
É importante ter o peso dos retalhos ásperos presos com os fortes fios, para que os retalhos não se soltem à medida que vocês se movimentam debaixo da colcha. Vocês podem colocar em risco todo o trabalho construído.

DAR O NÓ DA MANEIRA CERTA

Agora que vocês já uniram os retalhos e já os costuram de maneira firme, é hora de dar os nós. Sim, por que se não der um nó bem dado, as fortes linhas de nada adiantarão. Os retalhos vão se soltar, pode acontecer de algum retalho macio se soltar e deixar o retalho áspero te cutucar. É muito ruim sentir os cutucões dos tecidos ásperos enquanto o que se pretendia o tempo todo, é que esses servissem de recheio para os felpudos.

Dar os nós nas nossa colcha mágica não tarefa fácil. Somos facilmente tentadas a deixar um ou outro frouxo, fazendo escapar algum ponto “farpento” do tecido áspero incomodar o nosso aconchego. Quantas vezes, quando o aconchego está perfeito, quando tudo mais está perfeito, nos deixamos incomodar com as aspereza de algum tecido duro, não é mesmo? É como se não conseguíssemos desfrutar do momento, pois ficamos focadas naquele ponto áspero, insistente, que tira o sono e não nos deixa ser feliz.

Aqui se requer muita habilidade e responsabilidade na hora de dar o nó, pois se os retalhos se soltarem... a culpa será só nossa,pois fomos nós quem não demos o mó da maneira devida.

Outro ponto importante para a confecção da nossa colcha é dar o nó firme, mas deixar que ele fique em relevo, pois nós em relevo também incomoda. O nó deve ser parte integrante da colcha sem que nós percebamos nitidamente. Lembrar toda hora do nó na hora de se cobrir com a colcha deixa marcas pelo corpo, incomoda ficar lembrando dele, gera medo dele se soltar e nos faz duras, afirmando a nós mesmas o quanto pode ser desastroso se o trabalho se perder por que não demos o nó certo. Pode prejudicar o sono, embaralhar a mente e nos impossibilitar de curtir todo o trabalho que tivemos.
O medo do nó soltar é o equivalente àqueles momentos em que sabemos que fizemos um bom trabalho, em que demos o melhor de nós mesmas e usamos todo o nosso amor e habilidade para construir algo, mas que tudo pode se perder... Ficamos o tempo inteiro pensando que tudo poderá ir por água abaixo...

Então, façam seus nós com firmeza e de modo que ele seja mais um ponto natural da colcha que você vagarosamente confeccionou. Vocês dormirão mais tranqüilas.

DEBAIXO DA COLCHA

Sua colcha está feita!

E como é bom terminar um longo trabalho!

Como é bom saborear a conclusão do processo difícil de juntar os nossos pedaços, digo, de juntar os nossos pedaços de pano...

Agora é hora de vocês se cobrirem com a colcha que vocês fizeram com suas mãos, seus tecidos e suas linhas. Se cobrir com a colcha equivale àqueles momentos sem explicação em que despertamos em uma manhã, seja ela fria ou não, nublada ou ensolarada, e estamos tão aconchegadas com nós mesmas.

Estamos protegidas pela colcha mágica dos nossos retalhos, com todos os fios e nós em perfeita harmonia e conseguimos até cobrir aqueles que amamos com os nossos pedaços unidos, digo, os nossos pedaços de panos unidos com nossas linhas.

Quando vocês terminarem a colcha, cobram-se com ela, cubram-se sem medo dos nós se soltarem. Vocês fizeram um bom trabalho.

Cubram-se sem roupa, sem medo, sem medo de que os tecidos ásperos incomodem a mente e o corpo.

Cubram-se, esse é o manto que vocês fizeram, o manto de vocês mesmas.

HORA DE SE DESCOBRIR

E, por fim, devo dizer a vocês que talvez a melhor parte de todo o trabalho nem seja se cobrir com a colcha, mas se descobrir.
A colcha de retalhos do amor tem o seu poder potencializado quando nos descobrimos.

Sim, ela nos aquece e nos acomoda gostoso, mas o melhor momento talvez seja aquele em que, depois de um tempo cobertas, aquecidas com os retalhos que vocês souberam alinhavar muito bem, vocês se descubram... nuas, livres, apenas sendo o que vocês são.

Ao se descobrir, guarde a colcha num lugar especial, com alguns ramos de lavanda para perfumá-la, vocês sempre terão os retalhos unidos na colcha mágica.

Descubram-se sempre... e recorram à colcha sempre.

Não esqueçam dela jamais... Valorizem-na, ela e o trabalho magnífico de vocês.

Essa é uma lição muito importante para toda costureira que se preze!

Vocês construirão muitas colchas no decorrer da vida...

Quem sabe uma colcha gigante não possa se formar ao final, não é mesmo?

E é assim, tecendo, fiando, costurando os tecidos e as linhas das nossas vidas que aprendemos alguns mistérios magníficos da Grande Fiandeira, Aquela de cujos dedos são feitos o sonho e a realidade, o adormecer e o despertar... tudo junto num enorme manto multicolorido.

Somos filhas da Grande Tecelã da vida... e, por Ela, jamais nos esqueçamos disso!

Beijos alinhavados,
Lua Serena

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